Creio que sim. Na minha opinião, isso só pode ter ocorrido. Friso que me refiro à inteligência média — nem gênios nem retardados —, e também a natural, que nada tem a ver com o grau de instrução. Um homem com instrução superior pode ser menos “organicamente inteligente” que outro, com curso primário incompleto, ou mesmo analfabeto. Em linguagem popular, alguns nascem mais espertos, mais rápidos ou inventivos que outros. Mesmo entre as pessoas cultas, é variável o grau de inteligência
Presumo que as guerras —, além de mortes, aleijões, caos e destruição material — provocam, dentro de cada país envolvido em conflito, um retrocesso genético nas gerações seguintes, pois com elas ocorre a “sobrevivência dos menos aptos” e “extinção dos mais aptos” — o contrário da teoria da evolução de Charles Darwin. Esse é mais um argumento contra a estupidez das guerras. Felizmente, até agora, as mulheres não participaram maciçamente dos combates. Guardaram os melhores genes de suas respectivas nações.
Nas guerras são justamente os mais jovens e sadios — convocados e aprovados pelo serviço militar —, que morrem primeiro, em combate, geralmente antes de se tornarem pais. Apenas os jovens rejeitados pelo serviço militar, portadores de alguma incapacidade, deixam descendência. Quando morrem em bombardeios, fazem parte das vítimas civis: crianças, velhos e mulheres.
Propenso, como mero curioso, a indagar eventuais nexos biológicos de causa e efeito em temas sociais — neste caso entre a morte de milhões de jovens soldados e o não-avanço ou retrocesso no caráter dos seres humanos, através da história — pergunto-me se as periódicas guerras e outras formas de massacres, desfalcando a espécie humana de sua melhor “fatia”, a juventude sadia, explicam porque a humanidade permanece a mesma, ou piora, em termos morais, não obstante seu impressionante avanço tecnológico. Convém lembrar que invenções científicas e tecnológicas são relativamente raras. Discuto, neste texto, apenas uma hipótese global, estatística, reconhecendo, claro, que muitos jovens inaptos para lutar nas guerras podem ser invulgarmente inteligentes.
Como surgiu essa ideia relacionando as periódicas guerras com a baixa ou nenhuma evolução da humanidade? Explico a seguir.
Depois de ler centenas de citações de filósofos gregos — Sócrates, Platão, Aristóteles e mesmo os pré-socráticos —, fico me perguntando: Sócrates nasceu provavelmente em 470 antes de Cristo, isto é, cerca de 2.500 anos atrás. O que ele dizia — e seus seguidores escreviam — sobre a ética é muito superior ao que presenciamos, em média, nos nossos tempos. Mesmo entre os atuais “‘pensadores”, muitos deles mais preocupados com frases de efeito do que com a profundidade mesclada com bom senso. Na política, ainda é pior. Basta comparar as falas dos presidentes das nações, nos últimos cem anos, incluindo as nações mais ricas. Quanto aos discursos lidos, sabe-se que é comum que sejam eles escritos por ghostwriters. Nenhum progresso em 2.500 anos. Talvez até um retrocesso, apesar de nosso impressionante avanço técnico, fruto de poucos inovadores.
Apesar de tanta leitura disponível — com a invenção da imprensa, dos computadores, dos celulares, da disponibilidade gratuita e instantânea da informação, etc. —, o homem moderno continua mentindo, enganando, matando e roubando; aparentemente de forma mais exacerbada do que dois milênios e meio atrás. Com uma agravante: depois dos filósofos referidos, surgiram três religiões que, sendo monoteístas, deveriam impulsionar a humanidade no sentido da irmandade da espécie humana.
Não adiantou. A carnificina só aumentou: Cruzadas, Guerra dos 30 anos, Guerra dos 100 anos, Guerras Napoleônicas, Guerra Civil Russa, Guerra Civil Americana, Revolta Dungan (na China), “Ataques” de Tamerlão”, 1ª. Guerra Mundial, 2ª. Guerra Mundial, Guerra da Coréia, Guerra do Vietnam, Guerras do Golfo, Guerra “da Síria”, Estado Islâmico, combates entre israelenses e palestinos, etc. Isso sem contar com um possível conflito nuclear se Kim Jong-un e Trump continuarem mutuamente se ameaçando. Um aperto de botão, mesmo acidental, e teremos o caos.
Falei “acidental” porque quando Jimmy Carter era presidente, um terno dele foi enviado à lavanderia, tendo em um dos bolsos do paletó, por descuido, o “celular”, ou aparelho equivalente, que, acionado, dispararia foguetes atômicos contra Rússia. Esta, revidando, usaria seu sistema de “resposta imediata”, disparando mísseis atômicos contra EUA, Londres e outras capitais. Felizmente, nenhum empregado da lavanderia, desconhecendo o perigo, tentou “experimentar” os botões do enigmático “brinquedo”. Seria um novo “smartphone”?
Costumo lembrar que, às vezes, no mal reside um bem, e vice-versa. Se EUA e União Soviética, no tempo da Guerra Fria, não fossem potências nucleares a 3ª. Guerra Mundial já teria ocorrido. Provavelmente em 1962, no conhecido incidente dos foguetes russos, com ogiva nuclear, enviados à Cuba pela União Soviética mas interceptados, no mar, pelos americanos.
O objetivo deste artigo foi o de apresentar novo argumento — o genético, de efeito futuro — contra a estupidez das guerras, todas elas, com exceção das guerras estritamente defensivas, antes da chegada do “xerife”, que prenderá “o bandido”.
Para evitar as guerras é preciso proibi-las, mas para proibi-las é preciso que as nações se conscientizem da necessidade de ceder parte de sua soberania quando esta colide com a soberania de outra nação. Colisão que ainda hoje, resolve-se pela força, a forma mais primitiva de solucionar qualquer problema.
(05/01/2018)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
O aquecimento global. Acordo de Paris. Devemos sair dele?
Em 04/08/2018 publiquei no meu blog —
franciscopinheirorodrigues.com.br — um artigo, Por que a Antártida está
esfriando”?
Minha indagação — abelhudo contumaz — relacionava-se com
a notícia de que em parte da Antártida estava ocorrendo a diminuição da
temperatura — o oposto do esperável —, pois havia, e ainda há, um consenso
acadêmico, quase unânime, de que o aquecimento global está crescendo
perigosamente como consequência da atividade humana. Impunha-se, “consequentemente”
— pensei, sem imaginar a imensa complexidade da climatologia — uma limitação
mundial da atividade industrial, da pecuária, do desflorestamento e de tudo o
mais que implicasse em aumento do gás carbônico (CO2) na atmosfera, mesmo que
tal restrição cerceie o crescimento econômico dos países, inclusive o nosso,
que está entre os dez mais poluidores.
Como o aumento do nível do mar — supostamente comprovado,
segundo a mídia — seria uma das sérias consequências do efeito estufa, inundando
áreas costeiras , concluí que o anômalo esfriamento, ocorrido em parte da
Antártida seria talvez explicável pela mudança do eixo da Terra, permitindo que
os raios solares aquecessem determinadas áreas mas, em compensação, esfriassem
outras, no mesmo continente, conforme o peso dos oceanos e o movimento de
rotação da Terra. Essa variação — eu “deduzia” —, seria mais notada próximo às
regiões polares, nos dois hemisfério. Algumas áreas, reafirmando, antes mais
quentes, se tornariam mais frias e vice-versa, o que manteria inalterada a
média da temperatura planetária. Se, por exemplo, havia inverno mais rigorosos em
Nova Iorque, provavelmente na Sibéria, no lado oposto do planeta, o inverno
seria menos severo, fenômeno pouco divulgado porque ocorrido em regiões pouco
habitadas, não justificando manchetes.
Perguntava-me: o que poderia explicar essa provável
mutação do eixo terrestre? Avaliando, a olho nu, no globo terrestre, a
impressionante massa d’água dos Oceanos, a conclusão me parecia óbvia: com
derretimento do gelo nos polos e nos picos das altas montanhas, milhões de
toneladas de gelo derretido, notadamente na Antártida, foram parar nos mares e
oceanos, aumentando seu nível, justificando a necessidade de limitação na
atividade humana, dada como responsável pelo efeito estufa.
Eu não compreendia, no entanto, porque a mídia não
mencionava essa explicação — da mudança do eixo — sobre o esfriamento parcial
no polo sul, explicação que me parecia “tão óbvia”: se as geleiras da Antártida
“visivelmente” derretiam — como sugeriam as s fotos —, a água resultante
terminaria se somando à água dos oceanos, aumentado a inundação das cidades
próximas do mar. Assim sendo, o Brasil deveria permanecer firme na decisão de
impor a seus industriais, pecuaristas e agricultores as restrições assumidas na
Conferência de Paris, em 2015.
Se os leitores quiserem mais detalhes da minha
aparentemente lógica dedução, podem acessar meu blog.
Agora, tudo mudou. Ou pelo menos estremeceu a compreensão
técnica de um problema que afetará o futuro da humanidade no médio e longo
prazo.
Depois de ouvir “oceânicas” e eruditas palestras e
entrevistas de Ricardo Felício e Luiz Carlos Molion, no Youtube, sinto-me consciente
e impressionado com minha total ignorância sobre um assunto — a Climatologia —,
que nunca imaginei ter chegado a tal grau de sofisticação e complexidade.
Pelo que ouvi desses dois cientistas, convictos de que a
atividade humana não influi no clima planetário, os países devem pensar um
pouco — ou muito mais — sobre cumprimentos de tratados globais sobre a
diminuição do CO2. Cabe à maioria acadêmica — que sustenta ser o homem o
causador do efeito estufa e do aquecimento global contínuo —, explicar melhor porque
ela tem razão ao exigir dos países signatários do Acordo de Paris as limitações
na emissão do CO2, ainda que isso implique em diminuição do PIB.
Três dias atrás, porém, acessando o Youtube, assisti às longas
entrevistas do professor da USP, Ricardo Felício, alegando, com tranquila
segurança, que o ser humano não é responsável pelo aquecimento global, não
havendo razão para o Brasil cumprir as restrições oriundas do Acordo de Paris,
de 2015, ratificadas pelo nosso país em 12/09/2016.
Em síntese,
Ricardo Felício diz que as variações de temperatura na Terra dependem apenas
das alterações ocorridas no Sol, obedecendo a diferentes ciclos periódicos
ocorridos na superfície de nossa estrela. Argumenta que o planeta já sofreu
eras glaciais e já suportou períodos de temperatura bem mais altas que as
atuais.
Quanto ao aumento do nível do mar, Felício diz que o El
Nino é um fenômeno natural, chegando a alterar o nível do mar em meio metro.
Informa ainda que um famoso oceanógrafo, Macaulay — salvo engano —, já
falecido, dizia que “a última coisa que o mar tem é nível”, não se justificando
— no dizer de Felício —, a atual preocupação global com um centímetro a mais ou
a menos, mesmo porque os mares sempre variam em seus níveis. Alega, ainda, que
as melancólicas imagens de ursos magros — equilibrando-se em pedaços de gelo
flutuante, no Polo Norte —, e as geleiras derretendo, ou melhor, “desmoronando”
— na Antártida, datam de 20 anos atrás, sendo apenas falsa propaganda.
Felício argumenta que geleiras derretem-se e voltam a se
formar, em décadas e séculos. Diz que existem mais de 160 mil geleiras e que a
ONU só monitora 50 ou 60 delas, não podendo extrair conclusões corretas com tão
restrita pesquisa.
Quanto ao já mencionado Luiz Carlos Molion —— professor e
pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, em Meteorologia, pós-doutor em
Hidrologia de Floresta, com pós-gradução em Física e com inúmeras outras
distinções —, pareceu-me, no Youtube, uma enciclopédia viva quando muda de um
item para outro, conexos, com calma, segurança e coragem raras em assunto tão
multifacetado. Ele também, precisa dizer algumas palavras sobre como conciliar
a “santidade” do CO2 com a necessidade de diminuir a poluição ambiental. Esta
não pode ficar totalmente desvinculada do tema Aquecimento Global.
Para não alongar esse texto, já longo demais, convém o leitor acessar as
entrevistas de Felício e Molion no Youtube para melhor se informar. Aconselho
ouvi-las mais de uma vez, em dias diferentes — para não cansar e desistir — por
se tratar de assunto técnico, com uma conclusão de imensa relevância: a retirada
do Brasil nessa decisão mundial.
É pena — somente para mim, o curioso — que esses dois
cientistas do clima nada disseram, sobre a eventual inclinação do eixo
terrestre quando o planeta sofre resfriamento em partes da Antártida quando
ocorre um aquecimento global. Provavelmente, nada falaram sobre o eixo
terrestre por ser o detalhe, se ocorrido, irrelevante. Eles precisam entretanto,
nos esclarecer como diminuir a poluição, que mata pessoas a longo prazo.
Aquecimento global e poluição ambiental são, é claro,
temas distintos. mas muito próximos. A saúde também deve pesar quando se
discute o efeito econômico da diminuição obrigatória da emissão do gás
carbônico em um tratado internacional.
O CO2 é necessário, nos campos, para a fotossíntese; mas
não nas cidades, com o gás saindo do escapamento dos veículos movidos a
gasolina, álcool e diesel — para entrar direto nos pulmões da população. Ainda
mais quando acompanhado do monóxido de carbono, o CO — um gás prejudicial,
venenoso —; do enxofre e de outros resíduos não salutares. Fotos e filmes nos
mostram populações chinesas andando nas ruas com máscaras contra gases. E não
são nada convincentes as assertivas de Felício quando diz que pode-se,
tranquilamente, cortar todas as árvores porque elas voltarão a crescer. Pode
ser que cresçam, mas depois de quantos anos, ou décadas, conforme a árvore? E a
erosão, causada pelas chuvas não empobrecem o solo?
Teria razão, por exceção, o precipitado Donald Trump, ao declarar
que vai se retirar seu país do Acordo?
O assunto é especialmente importante para o Brasil porque
Jair Bolsonaro acena em acompanhar Trump nessa decisão.
Permanecendo a dúvida técnica sobre sair ou não, o
Brasil, do Acordo de Paris, a solução mais sensata seria Bolsonaro dizer que
antes de decidir, aguardará a adesão formal, preto no branco, dos países com
assento permanente no Conselho de Segurança. Felício disse, que a China
prometeu assinar mas fica enrolando, ainda não assinou. Se apenas os Estados Unidos sair, o Brasil deverá
assinar. Mas deve assinar por último, porque somente vendo as assinaturas das
grandes potências, membros permanentes do Conselho de Segurança — além da Alemanha
e Japão — é que ficará comprovado que
“os grandes” também aceitarão as limitações exigidas do Brasil e outros poderes
menores.
Molion insiste, com autoridade, nas suas palestras, sobre
o interesse econômico das nações mais ricas em engessar o crescimento das
nações em desenvolvimento. Disserta sobre patentes, lucros e perdas, etc. que
estão por trás de uma decisão que deveria ser apenas técnica.
O Brasil precisa conhecer, com mais certeza, os prós e os
contras das variações do Sol, da Terra e da ação humana, antes de sair ou
permanecer no Acordo de Paris.
(25/12/2018)
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
O Banco do Brasil, os idosos e os golpes nos cartões de crédito.
Sinto-me injustiçado, até mesmo injuriado, com a decisão desse
banco estatal de não me indenizar pelo “saque” criminoso de R$12.680,00 de
minha conta corrente — falsas “compras e saques” —, no dia 5 de outubro de 2018,
uma sexta-feira — o dia preferido dos meliantes —, realizado por uma gangue
especializada na clonagem de cartões de crédito e débito.
Minha revolta não decorre tanto do montante do prejuízo —
para mim economicamente suportável —, mas da exclusiva preocupação do Banco do
Brasil em lucrar o máximo, em seu balanço, em detrimento de correntistas idosos
— geralmente avessos às complicações da informática — que recebem suas
aposentadorias sem poder previamente escolher o banco pagador.
A portabilidade (mudança de banco) será, claro, uma forma de
saída, dos prejudicados pela política do BB — incômoda, principalmente ao correntista
idoso. Ocorre que essa mudança de banco pode ser trabalhosa porque o
correntista velho, no geral tem vários débitos automáticos em conta,
empréstimos parcelados e outras complicações burocráticas.
Daí a procedência dos estudiosos de instituições bancárias quando
sugerem a privatização do Banco do Brasil, argumentando que o poder do Estado
de forçar os funcionários públicos a receberem seus salários e aposentadorias
nesse banco estatal estimula excessos de astuto “rigor”. Astuto porque talvez o
banco tenha seu próprio seguro, quando indeniza o correntista roubado. Não
sofrerá desembolso.
A falta de concorrência, em igualdade de condições, estimula
o abuso. Inclusive na forma sumária, bitolada, cômoda, de investigar os fatos,
nas contestações de débitos, usando a técnica marota de só preencher uns
quadradinhos de “sim”, ou “não” apenas com um xis.
O presente artigo visa alertar, com meu infeliz exemplo,
pessoas que já caíram no “golpe do cartão” — principalmente idosos —, a
reagirem à própria e natural aversão ao uso massivo de celulares, smartphones,
e maquininhas de todo tipo — em constantes alterações para o bem e para o mal,
em igual proporção. Como se o idoso não tivesse nada mais a fazer na vida a não
ser estudar e exercitar os dedos em celulares e outros “brinquedos” perigosos,
tentando se desviar das flechadas cibernéticas do mal. Isso porque na mínima
distração seu patrimônio entra em risco, sem o escudo do banco.
E não há saída. Sem um cartão de crédito você se torna um
homem das cavernas. Não pode abolir o perigoso plástico que tem um segredinho
de três dígitos no verso, número que
pode ser rapidamente lido e memorizado quando manuseado por um eventual
funcionário desonesto do estabelecimento vendedor. Se quiser fazer uma pequena compra
talvez não consiga pagar com dinheiro vivo, como já aconteceu comigo, porque
não havia troco disponível na loja. Esse descompasso entre a rapidez
vertiginosa da técnica e a compreensível lenta atualização dos idosos na forma
de defender seu patrimônio — supostamente guardado no banco — obrigaria este,
pelo menos moralmente, a indenizar o correntista com um seguro que deveria ser obrigatório.
Se o é, no meu caso foi descumprido.
Esse favorecimento do BB no recebimento dos proventos de
seus aposentados estimula a intolerância bancária no ouvir explicações quando
idosos caem no golpe.
Como desembargador estadual de São Paulo, aposentado, recebo
pelo Banco do Brasil. Não sei se os outros bancos teriam a mesma decisão
“severíssima” de não cobrir meu prejuízo, caso ouvissem meus argumentos
apresentados oralmente na fase administrativa de contestação do débito, dentro na
agência. Meus argumentos não foram sequer ouvidos pela administração central do
banco porque no formulário da contestação só havia quadradinhos a serem
preenchidos com um “sim” ou “não”. Sem espaço para a explicação do detalhe que
me beneficiava: o fato de eu haver tentado me comunicar com o celular
profissional do gerente de relacionamento do banco quando uma voz de mulher me
“alertou”, falsamente, que meu cartão fora clonado.
Cheguei até a pensar — erroneamente, revoltado —, que há,
por traz desse meu “castigo financeiro”, alguma conotação política: a indisfarçável
alegria de punir um desembargador aposentado, tão “ingênuo” que chegou a cair
no “conto do motoboy”. — “Como podem esses desembargadores pedir aumento quando
se mostram tão incompetentes, despreparados, a ponto de acreditar nas palavras
de uma bandida que se fazia passar por colega do gerente do banco,
momentaneamente ausente”?
Se, eventualmente, foi essa a intenção do banco ao não cobrir
meu prejuízo, esclareço que como magistrado aposentado não recebo — e não teria
qualquer sentido recebê-la — qualquer quantia “extra”, rotulada de
“penduricalhos”.
Foram compras e saques claramente mentirosos, fora do padrão
dos meus gastos. Felizmente — espero que não mudem de ideia... —, o setor de Cartões
entendeu logo o que havia ocorrido e “só” sofri o prejuízo na conta corrente, no
valor acima mencionado.
Como já disse — se não estou mal informado —, só pelo fato
de ser correntista, tenho um seguro contra fraudes desse tipo. E talvez o BB nem
teria prejuízo se cobrisse meu prejuízo, porque bancos costumam ter sua própria
cobertura securitária quando cobrem o dano do correntista.
Esse golpe, “clonagem” em sentido amplo, cada vez mais
aperfeiçoado, lesou centenas ou milhares de vítimas — de preferência idosos —,
sabidamente avessos a acompanhar, de perto, as quase diárias mudanças na
informática, cada vez mais complicadas, até mesmo ditatoriais no exigir o uso
simultâneo de celulares, smartphones, com infindáveis senhas, e “modus
operandi” — variando de banco para banco — na forma de utilizar os caixas
eletrônicos e movimentação do dinheiro pelo computador.
O cartão de crédito tem o seu lado útil, estimulando o
consumo e a produção, mas mesmo usado com cautela tornou-se fonte de
preocupações e endividamentos. Milhões de brasileiros estão endividados — não é
meu caso — e sempre em perigo no item segurança.
Se queremos comprar algo pela internet, ao telefonarmos para
o vendedor, o funcionário da empresa tem o pleno direito de exigir que o
comprador mencione os três dígitos escritos — esqueci a nomenclatura — no verso
do cartão. Mencionado o número, quem pode garantir que um funcionário desonesto
— ou financeiramente desesperado — não venderá o número do cartão juntamente
com esses três dígitos a uma organização criminosa? Ninguém está livre dessa
possibilidade. Quando pagamos uma conta com o cartão — em qualquer
estabelecimento — será facílimo ao funcionário uma rápida e furtiva espiada no
verso dele, para memorizar os três dígitos do verso.
A segurança será sempre precária. Não é à-toa que em muitos estabelecimentos há
o aviso de que “não aceitamos cartões de crédito e débito”. É preciso, urgente,
inventar algo que seja mais seguro que o atual modelo de cartão.
Essa técnica de venda — boa para os bancos mas perigosa para
os correntistas — dispensa a contratação de milhares de funcionários,
explicando simultaneamente o invulgar lucro bancário e o aumento do desemprego.
Não é de admirar, por exemplo, o lucro — 3,13 bilhões — do BB no segundo
trimestre de 2018, mesmo com a economia em depressão. Vou contribuir,
involuntariamente, com meus caraminguás, acima referidos, para o lucro do BB no
último trimestre deste ano.
A bandidagem especializada na informática percebeu onde está
o ponto fraco de suas vítimas preferenciais — os idosos — e inovam
constantemente suas técnicas. Sabendo disso, os bancos deveriam aconselhar — ou
obrigar — seus correntistas a fazerem o seguro contra golpes, via cartão, algo
que nunca me foi proposto pelo BB, que eu me lembre. Eu pagaria, com a maior
boa-vontade, um seguro desse tipo porque o progresso criminoso na informática,
na computação e na tecnologia de telefones torna-nos praticamente indefesos. Tanto
nas decisões do banco quanto na justiça. Esta agora inventou, dizem, um
paradigma cômodo para responsabilizar —
automaticamente — só o correntista pelas falhas da prevenção bancária na luta
contra o crime cibernético.
Ressalte-se que a
bandidagem pode hoje até matar sem tiro, faca ou dinamite. Basta contratar um racker
(pirata cibernético) para “fazer o serviço” matando, como já ocorreu, na
Itália, quando a justiça lutava contra a Máfia.
Segundo relato de um jurista brasileiro — que ouviu a
informação de um magistrado da Itália —, a Máfia italiana não se conformava com
o fato de não poder matar os “arrependidos” que, presos, denunciavam os colegas
de crimes, em troca de absolvição, ou redução da pena. Esses “dedos duros”
denunciavam os colegas e depois desapareciam, protegidos pelo serviço de
proteção de testemunhas.
Impossibilitados de efetuar um “merecido castigo”, os
mafiosos denunciados, espalharam a notícia de que, não conseguindo matar o
traidor, assassinariam um seu irmão, ou outro parente próximo, ou o cônjuge.
Com uma ameaça desse tipo, seriam raras novas delações. No caso contado pelo
juiz italiano, a Máfia mandou matar o irmão do “rato”. O infeliz parente, ao
sair do escritório recebeu vários tiros dos executores que, vendo a vítima
imóvel e ensanguentada, fugiram rapidamente do local, pensando que a vítima
estava morta. Mas pensaram errado porque apesar do número de perfurações, ela
sobreviveu.
Levada às pressas ao hospital, a vítima ficou na UTI, com
aparelhos gotejando em suas veias os remédios e nutrientes necessários à sua
sobrevivência. A Máfia, inconformada com seu “azar” e vendo o hospital
protegido com policiais, teve uma ideia: que tal contratar um super racker para
“completar o serviço”? Encontraram um
especialista, na Suíça, que conseguiu entrar no sistema de computadores do
hospital e desligar os aparelhos que mantinham a vítima viva. Desligados os
aparelhos — não me perguntem como — ela morreu.
No caso que me prejudicou, o fato ocorreu da seguinte forma:
no dia 5 de outubro, uma sexta-feira, por volta das 10:30 horas, fui, como
carona, no carro de um amigo, a um shopping center, em São Paulo — não menciono
aqui o nome do shopping para não prejudicá-lo —, para solicitar, numa loja da
Vivo, a transferência, para mim, de um telefone fixo que estava em nome de meu
filho. Para sair do shopping era preciso, moralmente, que eu pagasse pelo
estacionamento do carro, vez que seu dono me fizera um favor ao me acompanhar. Fiz
o pagamento da única maneira possível naquele local: usando meu cartão de
crédito/débito do BB.
Não percebi nada de
estranho ao usar o cartão mas concluí, dias depois, vendo a fatura, que foi
nesse local que provavelmente ocorreu a clonagem — ou termo equivalente —,
porque algumas horas depois de usar meu cartão no estacionamento, já em casa,
recebi um telefonema, com voz de mulher, no meu aparelho fixo, dizendo-se
funcionária do BB, zelando pela segurança do cliente.
Como ela sabia meu nome, meu telefone e que era correntista
do BB?
Ela perguntou se eu havia feito alguma compra, no dia
anterior, com o cartão, no valor de R$1.700,00. Disse a ela que não. Em seguida,
ela perguntou se eu havia feito algum saque na parte da manhã do dia cinco.
Novamente neguei. Então, ela me disse que meu cartão havia sido clonado e que
eu deveria cancelar — ou termo equivalente — o cartão, o mais depressa possível
e que a polícia já estava no encalço dos bandidos porque estavam ocorrendo inúmeros
casos. E começou a me dar instruções para inutilizar o cartão cortando-o ao
meio, no sentido horizontal, por cima dos números, colocando-os em um envelope
lacrado, etc. Posteriormente, constatei, pelo extrato bancário, que antes dessa
chamada não houve compras ou saques na minha conta corrente.
Prosseguindo. Meio desconfiado, disse à suposta bancária,
antes dela prosseguir, que eu precisava falar, com urgência, com uma pessoa —
não disse quem — e que conversaríamos depois. Desliguei esse telefone,
deixando-o em minha mesa, e peguei outro, também fixo, e telefonei para o
celular do gerente de relacionamento da agência do BB para indagar dele se a
notícia da clonagem era verdadeira. O telefone tocou algumas vezes mas não foi
atendido. Desliguei e novamente tentei falar com ele. Quando nessa tentativa a
mesma mulher, ou outra com voz parecida, entrou na linha, ou ligou de novo,
usando o primeiro telefone — já não me lembro —, insistindo na urgência de se
prender os meliantes, dando-me instruções sobre como cortar o cartão e levá-lo,
o mais cedo possível, a Osasco, a um endereço que ela logo mencionaria, porque
a polícia já estava no encalço dos infratores.
Eu disse a ela que não tinha possibilidade, naquele dia,
sexta-feira à tarde, de ir até Osasco porque minha mulher estava adoentada e eu
só poderia fazer isso na segunda-feira. Ela então me respondeu que, como a
pressa era muito importante, o banco poderia, como um favor, enviar o cartão
cortado por mim, à polícia, disponibilizando um motoboy de confiança do banco.
Acreditando que a mulher estava substituindo o gerente — para
quem eu estava ligando —, acabei confiando nela, presumindo que o gerente,
precisando se ausentar, deixara seu celular profissional com ela, e por isso
dei à mulher alguns informes, como endereço, filiação, CPF, etc. Não me lembro
de ter dado senhas mas, como houve saques em dinheiro — segundo relatos “da
funcionária” —, informou-me depois o gerente que se houve saques de dinheiro
isso só pode ter ocorrido se eu dei minha senha. Será? Tenho minhas dúvidas. Se pode-se até
“tele-matar”, como fez a Máfia, não acho impossível até a clonagem de celulares,
mesmo de gerentes de banco.
Só depois de vários dias do ocorrido fiquei sabendo do
detalhe de que, nos telefones fixos, quando desligamos o aparelho, mas quem
chamou não desligou, quem chamou escuta tudo o que acontece na outra ponta de
linha. A estelionatária que telefonou pra mim, dizendo que era do banco, tendo permanecido
da linha — sem eu soubesse — deve ter deduzido que eu, após desligar, ligara,
sem êxito, para o gerente enquanto ela segurava a linha. Aí ela provavelmente
desligou e ligou de novo para mim, dizendo que não pudera atender meu chamado
de poucos segundos antes, quando eu ligara para o gerente.
Frise-se que é comum que gerentes de bancos não atendam
chamadas quando estão atendendo um cliente em assuntos mais complicados. Não
atendem no momento mas, tão logo dispensado o cliente, verificam, no seu
telefone, quem havia ligado sem ser atendido, e ligam para ele. No caso, eu. Foi assim, suponho, que voltei a escutar
a falsa funcionária, preocupado com a urgência da polícia em pegar logo os
marginais. Pensava, insisto, estar falando com alguém de confiança do gerente
porque eu ligara para o celular profissional dele.
Deve ter sido essa a
técnica esperta utilizada pelo grupo criminoso. Saliento, ainda, que é comum
receber chamadas, na minha residência, do BB, perguntado se eu emiti um cheque
no valor de xis reais, ou se fiz uma transferência eletrônica de valor alto.
Face a essa prática, parecia-me normal, até elogiável, receber um telefonema do
Banco me alertando que meu cartão fora clonado.
Como estávamos em uma sexta-feira, próximo do horário de
fechamento da agência, havia o sério risco de o bandido fazer novos saques e
compras no sábado e no domingo. Daí minha pressa em enviar o cartão cortado
pelo meio, dentro de um envelope. Pensei, na pressa, que um cartão cortado, “inutilizado”,
não serviria pra nada, a não ser para a polícia, em busca de prova policial.
Como já disse antes, o Judiciário, preocupado com o fluxo
enorme de lesados, decidiu agora trilhar um caminho jurisprudencial bastante cômodo:
se o correntista foi, de alguma forma, “ingênuo”, entregando um cartão cortado
a um motoboy supostamente enviado pelo banco, “que se dane!”
No caso, não me
considero um ingênuo porque havia motivo para acreditar que estava falando com uma
funcionária auxiliar do gerente de relacionamento, uma vez, insisto, que eu
ligara para o celular profissional dele.
Ignoram, tais
decisões recentíssimas da Justiça que ela deveria ser detalhista,
individualizada, examinando as particularidades do agir humano. Se, à guisa de comparação,
um homem mata outro, seu julgamento não pode depender do preenchimento de
quadradinhos a serem preenchidos com um xis como aquele usado no formulário do
banco na contestação do débito. A analogia seria algo assim: “Matou? Então está
automaticamente condenado a cumprir tantos anos de cadeia!”. Não. O homicídio pode ter sido cometido em
legítima defesa; ou sob domínio de violenta emoção logo em seguida a injusta
provocação da vítima”; ou quando o acusado não estava no uso normal de suas
faculdades mentais, sem culpa própria.
No meu caso, o BB decidiu não me indenizar porque, cheguei a
entregar a um motoboy, aparentemente enviado pelo banco, um cartão de crédito
cortado — para mim ele não prestaria para mais nada, a não ser como possível
prova policial.
Uma pergunta: todo correntista do BB, quando dos fatos, em 5
de outubro, era obrigado a saber que quando uma pessoa telefona para outra, usando
telefone fixo, quem chama pode segurar a linha, mesmo quando a outra pessoa
desligou o telefone? Eu só vim a saber
disso depois de sofrer o prejuízo.
A regra de que “ninguém
pode alegar ignorância da lei” só vale para as leis, não para o conhecimento
das técnicas criminosas. A valer esse princípio, no caso dos cartões, o poder
público deveria, por coerência, obrigar todos os correntistas, principalmente
os velhos, a frequentar cursinhos para atualizar os correntistas sobre todas as
novidades criadas pelos criminosos. Exigência semelhante aos cursos
obrigatórios para revalidação da carteira de motorista. Se, sem a carta, não
pode dirigir, sem o curso de atualização informática criminosa, o velho não
poderia continuar como correntista, devendo-se fechar sua conta, caso ele não o
faça”.
Pela minha recente experiência, é uma péssima escolha, para
idosos, ter como banco — para recebimento de suas aposentadorias —, uma
entidade financeira que exige de todos os seus clientes — com igual rigor para
todas as idades —, um constante acompanhamento das inovações e malandragens
cibernéticas.
Os idosos são hoje beneficiados com vagas nos
estacionamentos de shoppings, supermercados e outros locais. Têm prioridades
nos processos judiciais e para indenizações vindas do poder público. Mas em
golpes espertíssimos, via informática, os velhos que se danem porque não sabem
dos mais recentes truques, sempre aperfeiçoados.
Para mim, até três meses atrás — doravante será diferente —,
eu só usava o celular quando saía de carro para o caso de sofrer algum acidente
automobilístico, precisando chamar o guincho. Essa aversão dos idosos a
celulares, smartphones, aplicativos, e miríades de coisinhas inventadas
semanalmente, é um dado da realidade, queiram ou não os bancos, que deveria
pesar na hora do banco decidir se cobre ou não o dano. Isso já está recomendado
na legislação.
A Constituição Federal de 1988 diz, no art.230, que “A
família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas,
assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar
e garantindo-lhes o direito à vida”. E a Lei nº 8.842/1994 detalha essa
preocupação. E idoso é quem tem mais de sessenta anos.
Eu preencho, com largueza,
esse requisito. Tenho 86 anos, faço 87 em janeiro próximo, leio e escrevo muito.
Sei pouco de computação — só o suficiente para escrever meus livros e artigos —
porque gasto meu tempo lendo livros, revistas e jornais (apenas notícias e
artigos de opinião). Não perco tempo com esportes, nem com fofocas. Doravante
ficarei mais “esperto”, contratando técnicos para me atualizar sobre truques
novos porque o banco às vezes sabe menos que os bandidos cibernéticos que
depenam seus correntistas.
Sei que o Banco do Brasil, agora, sob nova e honrada
presidência, está pondo ordem na casa, mas presidentes — seja do que forem —, nem
sempre sabem o que está ocorrendo em todos os setores. Talvez, examinando meu
caso, me dê razão, dispensando-me de entrar na justiça em busca de uma
indenização.
Que minha má experiência seja de bom proveito para meus
colegas etários — ou “otários” —, porque seremos sempre as vítimas
preferenciais dos bandidos mais covardes eis que podem roubar sem qualquer
risco pessoal.
Aos velhinhos, em especial, um conselho: corram, com bengala
e tudo, enquanto é tempo.
(23/11/2018)
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
In defense of Pope Francis
Right from the beginning I declare myself unbiased to defend Pope Francis since, I regret to say, I have no religious convictions of any nature, either direct or indirect interest, regarding the Catholic faith or the Vatican State as a public entity.
In this articled I herewith defend in the most noble sense of the term "a man"; the Argentine Jorge Mário Bergoglio, by means of my weak dialectic lights, characteristic of the merely intuitive materialist, by natural tendency, not having been indoctrinated in such sense. Perhaps, I am a deceived materialist, victim of a limited investigation of an abstract "total reality", ignorance which could only be surpassed by hundreds of hours studying philosophy and theology. If this is the case and if later I find myself persuaded of the survival of what is called "soul," I will most happily correct my "mistake" on the deathbed - not coerced I hope, by fear of an eternal damnation.
I make this digression considering that presently the scientific knowledge held by mankind, although impressive, is still inevitably primary, if compared with the unavoidable future advances. We still "shoot" a lot in the dark, in physics and astronomy, deliberating on Black Holes; earthworms’ holes; antiparticle; antimatter; Big Crunch (not a crisp sandwich or any of the Golden Arches sandwiches); dark matter; dark energy and the Big Bang - enthusiastically supported by many clerical as it reinforces the idea of the universe having been created by divine snapping, extracting everything from nothing, but which in my opinion is a ridiculous hypothesis.
Some theorists claim the existence of parallel universes. If this is possible, the power of prayer will most likely be strong. Who knows – and I say this without any irony – millions of believers, praying for something particular, as Francis frequently asks, may change reality. At least just a mere mental reality, changing the thought, or the object of the prayers, for example, the decision of a head of state when choosing whether or not to push the nuclear button.
Just speculating, perhaps every sincere prayer emitting energy - the neurons transmit "microscopic" electricity - may be able to transpose the cranial cavity, just like when inside the house, we can trigger the car alarm, despite the thickness of the stone and brick wall separating us from the vehicle. Who knows, millions of brains longing ardent and simultaneously, so to speak, this confluence of energies can influence distant minds. Until recently, the features of children did not depend on their parents' wishes. But soon, very soon the baby, genetically manipulated in the womb, may be born shaped according to the parents' fancy wishes, color of eyes, and math skills. Just guess how our planet will be two thousand years from now, if it escapes self-destruction. I can imagine the scenario: scientists and even lay curious, chuckling about "how stupid our ancestral 'experts' were in the twenty-first century."
Materialism, based only on a now timeline, capable of being measurable, verifiable - in science, whatever - may be the least misconceived conception of reality; but it is a sad, shallow philosophy: - "Are we then just bugs? Selfish and flesh? Death and obliteration? Not even in another life, will there be justice for all, with punishment for the wicked and reward for the good? That would be illogical! I refuse to be a mere smart pig, eating, sleeping, making sex and thinking just about profit! "
This arid materialistic philosophy does not satisfy the moral thirst of millions of people who, through religion, yearn for something vague and yet strong: the feeling that human beings are worth more than they weigh, have, or seek to look like on a daily basis. It is not only fear that explains religion. There are also people, though in a smaller number, who even without fear, are believes. With all materialistic indoctrination, in the Soviet Russia, the religious belief has not been eradicated. It was just stifled. I say all of this just to reinforce to the materialists and skeptics, like myself, that we should be tolerant regarding religious belief when we see, on television, the Pope Francis asking the faithful to pray for this or for that.
With my apologies for the digression, let us return to Francis' defense, in the matter of his supposed tolerance or inertia in punishing some high dignitaries of the Catholic Church accused of pedophilia.
I defend Pope Francis as a duty of justice, just as I would defend him if he were a mere politician, of any given country, interested in doing good, deeply concerned in making the human being a better person, whoever he may be.
I have read much of what comes in the media about him and also heard his words addressing the faithful in St. Peter's Square. And I have only seen, until now, his impressive sincerity, his courage, his intelligence and coherence. It is unfortunate that Francis is affected by what commonly happens with people of exceptional value. They soon become object of envy, jealousy, and disgruntled interests.
Reading the criticism of Archbishop Carlos Maria Veganò, a former apostolic nuncio in the United States - calling for the resignation of Pope Francis derived from not having punished the former Cardinal Theodore McCarrick in 2011, and reading the Vatican's explanations on the subject, it is clear that Francis has been making every effort to purge the church, while at the same time trying to reduce the huge, autonomous evil of the scandal, which is tremendously destructive for a religion which, as a whole, has sought to improve human coexistence.
This concern of the Pope is justified since every deviation of behavior, of a sexual nature, occurring in any religion - not only Catholicism - has a destructive effect in the souls of millions of followers. It is necessary not only to punish crime, the misconduct, but also to preserve the institution.
The enemies of religions, or the rival religions, rave of joy when a Catholic priest is accused of pedophilia. But no one can accuse Pope Francis of being conniving with this. The Pope has insisted on repudiation. He removes the priest from his duties, reproaches him, but is probably inhibited in having the offender criminally prosecuted. Nevertheless the police have not been pressed not to investigate. Besides the damages already caused to the church by some priests - not all of them - the Pope is only trying to avoid the poison of a "destructive propaganda" of the media broadcast inherent in criminal processes of this nature thus harming a belief that has been useful to public morality and to the souls of millions of believers.
Every sensible and honored chief of any institution, be it public or private, when confronted with internal failures of enormous repercussion - mainly of a sexual nature - removes the offender, punishes him, but avoids as much as possible the media hype. He is aware that the spread of morbid "details" is worth gold - in the proper sense - for newspapers and magazines. The defense of the reputation occurs in the family institution, in public and private companies, in the Three Powers and even in criminal investigation agencies. What parent, or husband, would not try to hide from the media and neighborhood an outrageous sexual act practiced by a son, daughter or wife? Ideally, every investigation of cases of this nature should take place in secret, almost impossible today.
"The media must expose facts with total cruelty!" magazines and newspapers will snarl. Bullshit. If in some magazine, notorious for its severity, a scandal of a sexual nature takes place in its offices, off working hours, the CEO, innocent, will go to great lengths to prevent the fact from public knowledge. And he will certainly have the collaboration of other magazines, even rivals. The good reputation of a magazine or newspaper long fought for, cannot be destroyed by acts of irresponsible ones.
Not being an expert in religion, and not much interested in this subject, I confess my admiration for the last Popes, dating at least from John XXIII. I know little from the previous ones. The most recent, mentioned above, were morally admirable. If Earth becomes atheist one day, they will be well remembered by historians. The planet would have been worse without them.
Concluding, I beg leave for a rather daring suggestion: that Pope Francis takes some advantage of the bad winds blowing against Catholicism: the recent scandals of pedophilia. I am referring to the permission of the priests to marry or, if they prefer, to remain single, but exempt from chastity. Thousands of priests leave the priesthood against their will. Honoured, they know they could not remain chaste for the rest of their lives. It is easy, or relatively easy, for a Pope to remain chaste until he dies because they are usually old. But to force a new, strong priest to go against a natural instinct means increasing the risk of sexual offenses, victimizing innocent people, emptying churches, and demoralizing the effort of two millennia trying to improve the human being.
Nature - through an evolution of billions of years - has never given up, by biological force, the propagation of species. Amphibians, fish, birds, mammals, are all born programmed to bear cubs, who will continue to evolve. For those who do not know, plants also have sex life, some more, some less. Flowers are sex organs. There are male gametes and female gametes. Anyone who has doubts about sex in the plant world should access Google and can read all the tricks that plants use to generate their "equals." Even attracting insects and birds that can carry, unknowingly, the pollen.
I regret to say, but sex is a harsh reality, which can be curbed, but not for life. And to enable the mechanism of the propagation of the species, nature had to invent a "trigger" - the libido, which when curbed ends up in a wrong, sickly way. Without libido there would be no human being except by artificial insemination. Children would be born, but the children libido would continue to cause hell the human species.
Pope Francis has the highest authority, legitimacy and now, the opportunity to revoke the compulsion of celibacy and the chastity of priests. His name will go down in history if makes this decision, and we will not have this kind of scandal, nor the suffering of young victims and their parents. In all other religions chastity is not mandatory and they do not stop growing. Why torture the few priests who still remain in the church? Courage was never something the Argentine Jesuit lacked. May he also use this noble trait in this endeavor and it will certainly be look upon favourably by a large number of the faithful.
I end up here, apologizing for such frankness, usually omitted in sensitive subjects.
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Tema importante silenciado pelos presidenciáveis
É incompreensível o silêncio, até o momento, dos principais candidatos,
sobre um assunto importantíssimo para o futuro do Brasil: como tornar a
justiça, na área cível — esclareça-se: não penal, incluindo a tributária —, mais
rápida e só por isso mais justa.
Não abordo aqui a área penal porque a atual jurisprudência
do STF — permitindo o início de cumprimento da pena após a condenação em
segunda instância — moralizou o sistema recursal, desestimulando a impunidade, sem
impedir o réu de insistir no seu direito de direito de recorrer às instâncias
superiores, tentando demonstrar que sua condenação violou a lei ou a
Constituição Federal, embora os fatos estejam provados na decisão de segundo
grau.
A título de ilustração comparativa, observe-se que a CF, no
art.5º, inc. LVII, diz que ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. A
Constituição, sabiamente, não proíbe a prisão do réu antes do trânsito em
julgado, à semelhança do que ocorre em
vários países do primeiro mundo. Mesmo preso o réu não perde o status de não-culpado.
Permite-se a prisão — de natureza provisória, revogável — por considerações morais
recomendáveis, evitando, por exemplo, que um cidadão, em pleno gozo de suas
faculdades mentais, faça uma chacina, matando vinte pessoas inocentes — sendo
filmado em plena ação — não sendo preso enquanto não transitar em julgado sua
condenação, algo que pode levar cinco, dez ou mais anos para. Ou mate a namorada,
na frente de todos, apenas porque ela não quer mais o relacionamento e,
utilizando infindáveis recursos, fique anos e anos livre e solto, estimulando
indiretamente, outros indivíduos a fazerem o mesmo. O abuso recursal pode
resultar em impunidade total caso o réu venha falecer por causas naturais, ou
pela prescrição conquistada pelo próprio réu, tirando proveito das deficiências
da lei processual.
A meu ver, é preciso que também na área cível, seja adotada
— via legislativa —, uma orientação assemelhada, utilizando, obviamente, não a
prisão do perdedor recorrente, mas um ônus financeiro que o desestimule a
recorrer só para protelar, jogando o cumprimento da condenação para um remoto
futuro. Não adianta a lei processual fixar os honorários da sucumbência — hoje
limitados a 20% do valor da causa, ou da condenação — a serem pagos somente
anos ou décadas, depois —, considerando que a parte perdedora sabe que pode,
com sucessivos recursos, na fase de conhecimento e na execução, quase eternizar
a demanda, apenas pagando as custas dos recursos. Qualquer exigência
indenizatória, ou pagamento de um débito assinado só exigível em remoto futuro
— “esticável” pelo infrator —, perde o efeito psicológico pretendido pelo
legislador: as obrigações devem ser cumpridas conforme acordadas. O devedor audacioso,
nesses casos parece pensar que “No futuro todos estaremos mortos”.
Tenho acompanhado, nos jornais e revistas, os
pronunciamentos dos candidatos com alguma chance de eleição e nada li ou ouvi
deles sobre um tema de tamanha relevância social e econômica. O serviço de
Justiça foi inventado para forçar as pessoas a cumprir suas obrigações, não
para ensejar um sofisticado teatro de mentiras e protelações enfeitadas com o
linguajar jurídico. Não me refiro aqui a todas as demandas judiciais, talvez a
maioria, oriunda de um real conflito de direitos e interpretações. Critico apenas
ao uso rotineiro e generalizado da protelação para lesar aquém, sabendo que não
tem razão e assim mesmo usa e abusa do “direito” de retardar uma demanda, usando
uma falha do sistema.
Pergunto: os atuais candidatos,
por acaso, encaram essa tradicional lentidão como algo intocável, inerente à
função de julgar “sem eventual precipitação”? A demora será uma espécie de vaca
sagrada, ou totem impossível de ser alterado por uma lei “meramente”
interessada na rapidez, sem prejuízo da qualidade? Ou a passividade dos
candidatos à presidência significa apenas receio da perda de votos na próxima
eleição, ou medo da reação da combativa OAB, presumindo que esta sempre estará convicta
de que é direito ou mesmo dever do advogado usar todos os recursos previstos em
lei mesmo que o cliente lhe confesse que usa o recurso só para retardar?
Milhares de pessoas
envolvidas em questões cíveis, pensando desse modo, explica porque nossas ações
cíveis podem demorar décadas, para nosso vexame internacional, e desespero de
milhões de nacionais e estrangeiros, aqui residentes, que se sentem cidadãos de
quinta categoria, temendo falecer antes de verem seu direito transformado em
algo concreto. Temos magistrados em número suficiente mas o sistema recursal,
com quatro instâncias, não conseguem dar conta de milhões de processos
tramitando devagar porque há um excesso de recursos lutando pela demora,
obviamente nunca confessada em público.
Quando converso com alguns poucos advogados ou magistrados,
expondo as propostas legislativas logo abaixo, sou de imediato aconselhado a
não perder tempo: — “ A OAB nunca
deixará passar, no Congresso, o que você propõe! Os advogados são combativos,
repudiariam qualquer restrição à sua liberdade de trabalhar, defendendo seus
clientes. Há muito mais clientes devedores do que credores. Esqueça. Não compre
barulho.
O hábito da morosidade judicial vem de longe, e não existe
apenas no Brasil. Até na Itália, país destacado no estudo do Direito, há
insatisfação da sociedade no que se refere à lentidão. Há, nesse país de
grandes juristas, uma lei mandando o Estado indenizar a demora excessiva dos
processos, mas como é o próprio judiciário que julga tais causas, e tudo pode
ser rediscutido, a lei simplesmente não é aplicada. Consultem no Google.
Turquia e Grécia também sofrem com o problema. Seria a nossa lentidão uma quase
fatalidade? Em assuntos humanos, nada é fatal, imutável.
Mais de quinze anos
atrás um poderoso industrial japonês, entrevistado no Brasil, — saiu no jornal
mas não anotei o nome —, interessadíssimo em investir grandes somas no nosso
país, ao saber quanto tempo teria que esperar, em média, na justiça, para
receber o devido por um cliente mau pagador, ficou atônito com o que ouviu de advogados
e administradores. Soube que qualquer decisão poderia ensejar ilimitados
recursos, praticamente ad aeternum .
Desanimado, o industrial cancelou seus planos e retornou ao Japão, ou procurou
outro país mais racional na forma de praticar a justiça.
A expressão acima, ad aeternum
não é figura de retórica. Já contei, em outro artigo, que o STF, vários
anos atrás, só conseguiu terminar um processo — não sei se cível ou criminal;
provavelmente cível — utilizando uma ilegalidade.
O caso foi contado
por um ex-ministro aposentado do STF, não sei se ainda vivo, agudamente
inteligente, justo e corajoso. Ele relatou que após longa tramitação, causada
por uma infinidade de recursos, o mérito foi decidido no STF. Enfim, processo
terminado? Não. O perdedor apresentou sucessivos embargos de declaração, sempre
alegando que o último acórdão continha novas omissões e contradições. Não sei
quanto tempo durou essa comédia, ou tragédia. Isso ocorria porque nem a
legislação federal nem o regimento interno do STF estabeleciam um limite para a
interposição de embargos de declaração. E nem sei se neste momento essa omissão
foi sanada. Fazer o que? — pensou o ministro. Mandar prender o advogado?
Absurdo.
A solução veio do bom
senso e da coragem de praticar uma ilegalidade: o Tribunal, ou seu presidente,
certamente apoiado pelo plenário, ordenou à Secretaria que não mais protocolasse
(recebesse) novos embargos do recorrente, nesse mesmo processo. Isso ocorreu
muito antes da informatização da justiça. Só assim, “na marra” — no caso virtuosíssima
—, terminou o julgamento do mérito. A alternativa, aceitando a mais grosseira
técnica de impedir o trânsito em julgado da parte perdedora, seria a total
desmoralização do STF. Certamente, o advogado que afrontava a Corte Máxima não
mais pretendia continuar na profissão.
Não obstante o atual avanço teórico da exigência de “duração
razoável do processo”, qualquer devedor de quantia, líquida ou ilíquida, quando
condenado na primeira ou segunda instância se pergunta o que será melhor para
ele: pagar a dívida? — via acordo, com um provável desconto —, ou pedir a seu advogado
que recorra sempre, tenha ou não razão. Seria, ele se pergunta, mais lucrativo,
“inteligente”, usar suas reservas, ou crédito bancário disponível, mantendo ou ampliando
seus negócios, ou investindo a quantia cobrada na especulação financeira?
Reconheço, claro, que nem todos os que utilizam a técnica
protelatória de recorrer, na área cível, agem assim por mera “esperteza” ou
outras maldades. Uma evidente protelação pode, eventualmente, ser fruto do
desespero financeiro de um homem intrinsecamente honesto, normalmente
inteligente, mas que se deu mal nos seus negócios e não vê saída lícita no curto,
médio ou longo prazo.
Com a vertiginosa evolução tecnológica, a globalização — boa
no geral mas impiedosa no particular — de um dia para o outro pode transformar
um “vencedor” em um “loser”, nada preguiçoso, que aplicou tudo o que tinha em
algo promissor, perdeu o investimento e ainda contraiu empréstimos impagáveis.
Confiou no futuro. Que fazer? Suicidar-se? Sacrificar a família? Não! Opta por
gastar o pouco de que ainda dispõe pagando um advogado amigo, competente, que,
solidário e paciente, prometeu fazer o processualmente possível — e quase tudo
é possível, com a atual legislação, em termos de fabricar demoras — para evitar
a miséria do cliente.
Nessas defesas sentimentais, “caridosas”, principalmente em
assuntos tributários, o advogado age movido por um belo sentimento. Ocorre que um
sistema judicial, visto por inteiro, não pode tolerar que casos de exceção
permitam que cálculos rasteiros, visando lesar a parte credora, prejudiquem —
por tabela, com o excesso de recursos para julgar —, milhares de pessoas que
também sofrem por não poderem receber, ainda vivos, o que lhes é devido. São milhares
de devedores enchendo milhões de páginas com alegações repetitivas e às vezes
propositalmente confusas — e quanto mais confusas, melhor.
Qual a proposta que um presidenciável deveria fazer para que
os processos cíveis terminem em prazo razoável?
Permitindo, ao credor, vencedor na segunda instância,
iniciar a execução do acórdão. Nesse caso, a parte vencida poderá recorrer, mas
para isso terá que depositar o valor da condenação, ou fixada razoavelmente
pelo tribunal de apelação, caso a condenação tenha um valor ilíquido. Se o
devedor não dispuser de numerário para o depósito, que procure um empréstimo
bancário, ou outro qualquer, para depositar o valor da condenação, ficando a
quantia em depósito judicial rendendo juros e correção monetária. Esse valor
não poderá ser levantado pelo credor antes do trânsito em julgado. A menos,
claro, que o credor com isso concorde.
Qual o objetivo desse depósito? Comprovar, o devedor, que está
convicto de seu direito, que não pretende, com seu recurso, para o STJ ou STF, apenas
protelar. Frise-se que a instituição financeira que realizar o depósito em
favor do devedor não fará isso de graça. Cobrará dele juros e taxas
pertinentes.
A lei processual, a ser elaborada, não poderá dizer que em
vez do depósito, essa garantia da “sinceridade” do depósito possa ser
substituída por mera promessa do banco de que o banco agirá como um garantidor,
sem desembolso do dinheiro. Isso seria cômodo demais para a parte devedora que
tem interesse apenas em protelar. É preciso que o devedor sinta no bolso o peso
dos juros devidos ao banco que efetuou o depósito. Desconheço a prática
bancária, mas suponho que sem desembolso do banco, o ônus financeiro do devedor
será mínimo, estimulando-o a continuar com a procrastinação.
Outra pequena alteração legislativa — pequena em termos de
redação, embora enorme em termos de aumento da celeridade judiciária — estará
na valorização da “concisão e clareza” das petições em juízo, para fixação da
sucumbência — para os leigos: quem perde a demanda paga os honorários
advocatícios da parte que a venceu. Considerando que há milhões de ações
judiciais em andamento, se todas as petições forem concisas e claras — um
excesso de concisão ensejaria obscuridade —, o volume de trabalho, visual e
cerebral, dos magistrados tomaria menos tempo na leitura dos autos. Mais casos
seriam decididos em menor tempo.
Hoje, os advogados escrevem muito, até desnecessariamente,
porque o cliente leigo fica contente quando sua defesa está escrita em enorme
quantidade de folhas, ou laudas no computador. O cliente pensa que quantidade
representa qualidade. E o próprio juiz, no momento de fixar o valor da
sucumbência, geralmente impõe honorários mais altos quando a petição cita mais
doutrina e jurisprudência, mesmo quando o tema já é pacífico.
Fixar, porém, a lei, número máximo de palavras em cada
petição é perigoso e constrangedor para os advogados porque isso funcionaria
como uma camisa de força no seu direito de enfatizar e explicar algo que
precisa de muitas linhas para convencer. Basta, no CPC, a lei mencionar, no
tema da sucumbência, que também a concisão e clareza das petições serão
valorizadas para fixação da sucumbência. Essa orientação já bastaria para
enxugar a “gordura” das petições repetitivas e redigidas visando impressionar
com o número de laudas.
As sugestões acima, escritas aqui em linguagem coloquial, se
aceitas pelo legislador, serão inseridas no Código de Processo Civil, nos
artigos e itens adequados. Tomariam muito espaço e tempo redigir as alterações
em um artigo a ser publicado na internet.
Penso que entre os advogados brasileiro, que trabalham na
área cível, há um percentual considerável que gostariam que nossa justiça não
demorasse tanto. Os clientes reclamam, se desesperam, o advogado bem
intencionado lamenta viver no Brasil e os juízes gozam a má fama de serem
lerdos, quando isso não é verdade na grande maioria dos casos. Grande parte do
menor prestígio da magistratura advém da demora exagerada dos processos, resultante
das falhas acima. Se a justiça se tornasse bem mais rápida, não haveria
críticas contra os proventos dos magistrados. Associações de Magistrados
deveriam se empenhar em agilizar as ações cíveis, via legislativa, convidando a
OAB para trocar ideias, com infinita tolerância com relação a ideias opostas.
O candidato presidencial que prometa, a sério, que lutará,
se eleito, para que os processos mais comuns terminem em um ano, no máximo,
entre a petição inicial e o “Arquíve-se”, receberá meu voto e minha propaganda
gratuita, por ver nele um grande patriota. Se excepcionalmente complexo, no
máximo em dois anos e meio. Isso não é impossível. Se isso parecer impossível,
convoquem os engenheiros, acostumados a solucionar problemas com visão prática.
São Paulo, 21/09/2018
Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues, desembargador aposentado
do TJESP
Gotas de Sabedoria sobre o Poder
“Os homens devem ser conduzidos por uma mão de ferro numa luva de veludo.“
(NAPOLEÃO BONAPARTE)
“Quando cheguei ao Congresso, achava que dava para fazer o bem. Hoje, o que acho que dá para fazer é evitar o mal.“
(ROBERTO CAMPOS)
“Coragem é o preço que a vida cobra para garantir a paz.“
(AMELIA EARHART)
“Roubar não é só meter a mão na carteira das pessoas. Roubar é gastar errado com mordomias, com obras faraônicas, privilegiando quem já tem.“
(CIRO GOMES)
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Gotas de Sabedoria do Poder
“Quando não se pode derrotar, fica-se sócio.”
(ULYSSES GUIMARÃES)
“Cínico: um velhaco cuja visão errada vê as coisas como são,
e não como deveriam ser.”
(AMBROSE BIERCE)
“Qual tem sido o efeito da coerção? Tornar louca metade do mundo
e hipócrita a outra metade.”
(THOMAS JEFFERSON)
“Não gosto da vida legislativa; gosto de mandar um pouco
mais.”
(SÉRGIO MOTTA)
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Gotas de Sabedoria sobre o Poder
“Nem tudo o que se enfrenta por
ser modificado. Mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado.”
(JAMES BALDWIN)
“Um homem sem inimigos é um homem
sem qualidades.”
(CURTIS L. JOHNSON)
“Cada vez que preencho um posto
vago faço 100 descontentes e um ingrato.”
(LUÍS XIV)
“Não podes ter um espírito
generoso e valente, se tua conduta é mesquinha e covarde; pois quaisquer que
sejam as ações de um homem, tal deve ser o seu espírito.”
(DEMÓSTENES)
Assinar:
Postagens (Atom)




