domingo, 5 de julho de 2020

Pensamentos indiscretos e filosóficos dos tempos modernos


HENRY LOUIS MENCKEN

“É pecado pensar mal dos outros, mas raramente é engano”.

“Na democracia, um partido sempre dedica suas principais energias tentando provar que o outro partido não está preparado para governar. Em geral, ambos são bem-sucedidos e têm razão”.

“Na história humana, não há registo de um filósofo feliz”.

“Um homem perde o senso de orientação após quatro drinques; uma mulher após quatro beijos”.

“Quando um homem e uma mulher se casam, tornam-se um só. A primeira dificuldade é decidir qual deles”.

“O homem chora porque terá que morrer breve. A mulher chora porque nasceu tantos anos atrás”.

“Um idealista é alguém que, ao perceber que uma rosa cheira melhor que um repolho, conclui que ela também dará uma sopa melhor”.

“Os homens casados vivem mais do que os solteiros — ou, pelo menos, queixam-se durante mais tempo”.

GROUCHO MARX

“Atrás de todo homem bem-sucedido, existe uma mulher. E, atrás desta, existe a mulher dele”.

“Você prefere acreditar em mim ou em seus próprios olhos”?

“Estes são meus princípios. Se você não gosta deles, tenho outros”!

“Nunca me esqueço de um rosto, mas, no seu caso, vou abrir uma exceção”.

“Para mim, a televisão é muito instrutiva. Quando alguém a liga, corro à estante e pego um bom livro”.

“Eu não sou vegetariano, mas como animais que são”.

“Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro. Mas, custam tanto”.

“Eu corri atrás de uma garota por dois anos apenas para descobrir que os seus gostos eram exatamente como os meus: Nós dois éramos loucos por garotas”.

“Perdoem-me por não levantar”. (Epitáfio de Groucho Marx)

“A filosofia é a ciência que nos ensina a ser infelizes da maneira mais inteligente”.

“Eu pretendo viver para sempre, ou morrer tentando”.

“A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lados, diagnosticá-los incorretamente e aplicar as piores soluções”.

“Só há uma forma de saber se um homem é honesto, pergunte-o. Se ele disser 'sim', então você sabe que ele é corrupto”.

“Do momento em que peguei seu livro até o que larguei, eu não consegui parar de rir. Um dia, eu pretendo lê-lo”.

“O segredo do sucesso é a honestidade. Se você conseguir evitá-la está feito”!

“As noivas modernas preferem conservar os buquês e jogar seus maridos fora”.

“Inclua-me fora disso”.

(citações colhidas no site “frasesfamosas.com.br)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

O perigo de ter uma imprensa inimiga


“Tenho mais medo de três jornais do que de cem baionetas”. (Napoleão Bonaparte)


Mario Vargas Llosa, o escritor peruano, é uma unanimidade mundial: talentoso, Prêmio Nobel, mentalmente honesto, inteligente e bem informado.  

Pena é que, mesmo com tantas qualidades, Llosa formou, sem culpa própria, uma opinião equivocada, tendenciosa, sobre o que está agora acontecendo no Brasil, no combate contra o coronavírus.

Não morando no Brasil, baseando-se, provavelmente, no que lê na mídia internacional sobre Jair Bolsonaro e a pandemia, Vargas Llosa escreveu um artigo — “O exemplo uruguaio” —, publicado no jornal O Estado de S. Paulo (07/06/2020), elogiando profusamente o novo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, pela maneira liberal, não ditatorial, com que tem confrontado a pandemia da covid-19.

 Nesse texto, Vargas Llosa ataca Bolsonaro, como se o presidente brasileiro tivesse uma opinião contrária à do presidente uruguaio, quando ela é justamente a mesma. Bolsonaro pensa exatamente como o novo presidente peruano, contrários, ambos, ao excesso de manter as pessoas fora das ruas, em quarentenas prolongadas, com a economia quase totalmente parada por meses.

Elogiando Luis Lacalle, Vargas Llosa escreveu no artigo que “(...) Lacalle Pou resistiu à decretação de uma quarentena, como fizeram tantos países no mundo. Apelando para a responsabilidade dos cidadãos, ele declarou que ninguém que quisesse sair para a rua ou continuar trabalhando seria impedido de fazê-lo, multado ou preso, e não haveria aumento de impostos, pois a empresa privada desempenha um papel central na recuperação econômica do país, após a catástrofe. Apenas seriam suspensas as aulas nos colégios e as fronteiras seriam momentaneamente fechadas”. (Observação: Bolsonaro também sempre foi pessoalmente contrário a impedir os brasileiros de trabalhar normalmente.

Concordou apenas em manter os idosos em casa, no que denominou “modelo vertical”)

Mais adiante, V. Llosa escreve: (...) “O grande problema que o Uruguai enfrenta é sua fronteira com o Brasil, uma cidade que ambos compartilham, e onde, com o caos brasileiro criado por Jair Bolsonaro, os casos do coronavírus se multiplicam”. (Por que “caos”? Bolsonaro, embora contrário ao confinamento maciço, não conseguiu ser obedecido, nem pelos seus ministros da saúde, nem pelos governadores, nem pelos prefeitos, e sempre foi hostilizado pela imprensa e pelos ministros do STF, este Poder decidindo como se tivesse um Poder duplo, o de julgar e o de administrar o país.

Um pouco mais adiante, Llosa acrescenta o que pensa sobre Lacalle Pou: “Com sua corajosa atitude frente ao flagelo que se abate sobre o mundo, ele poderá poupar ao Uruguai boa parte da catástrofe econômica que se abaterá sobre os países cujos governos, apavorados pela pandemia, e a perda de popularidade, se apressaram a fechar fábricas e lojas e a impor um confinamento extremamente severo, ou a anunciar aumentos de impostos e estatizações, sem pensar que tudo isso contribuirá para agravar a tragédia econômica, uma das heranças da praga e a mais difícil de sanar” (Igualzinho ao que Bolsonaro sempre disse nos seus pronunciamentos).

Quem vive longe de um país que raramente visita — é o caso de Vargas Lhosa, distante muitos anos depois de escrever “A guerra do fim do mundo” —, forma sua opinião política com base no que lê nos melhores jornais, impressos na sua própria língua nativa e em outras faladas no mundo culto.

Os três melhores jornais brasileiros que mais escrevem sobre Bolsonaro e o Coronavírus são, certamente, o Estadão, a Folha de S. Paulo e “O Globo”. Correspondem, profeticamente, aos três jornais mencionados por Napoleão na epígrafe deste artigo. Causam medo em qualquer chefe de governo, porque doutrinando os leitores e evitando publicar opiniões contrárias, criam uma unanimidade artificial. Não fossem discordâncias da redes sociais, Bolsonaro já estaria em casa, ou na cadeia.

Acontece que tanto a diretoria de tais jornais brasoleiros quanto os jornalistas que nela trabalham estão, há meses, ressentidos com estilo aguerrido, pesado, de Bolsonaro, que se defende atacando. Melindrados, esses três jornais se uniram para dar “uma lição” no presidente, sempre o hostilizando, deturpando suas intenções. Como Bolsonaro não tem formação livresca, está longe de ser um erudito e fala conforme pensa e sente, essa franqueza ofende repórteres que se acham no direito de revidar e castigar, em entrevistas e outros contatos, só fazendo perguntas cuja resposta possa diminuir o entrevistado. 

Não me lembro de ter lido, em entrevistas recentes do presidente, o entrevistador fazendo perguntas amenas. Outras figuras políticas, quando ouvidas, são melhor tratadas. Com Bolsonaro é só pergunta hostil, desagradável, querendo prejudicar o entrevistado com minúcias e eventuais vexames envolvendo parentes, o cônjuge ou empregados. Até parece que o repórter já veio orientado para não fazer qualquer pergunta cuja resposta possa melhorar a imagem de quem responde.

Um tema especialmente presente quando se entrevista Jair Bolsonaro é pinçar atos ou frases proferidas por seus filhos, como se o presidente fosse obrigado a calar a boca de três homens adultos, exercendo função pública. Seus filhos são políticos legitimamente eleitos. Como tais, podem emitir suas opiniões, sem ter que antes consultar o pai. Um é vereador, outro é deputado estadual e o mais novo é senador. Tendo jurado, como parlamentares, cumprir as leis e lutar livremente pelo que pensam, não é exigível — nem mesmo tecnicamente —, que os três fiquem impossibilitados de dar opinião em assuntos políticos que de alguma formam se relacionem com o pai. Que cada filho responda por seus atos. Se o presidente decidir admoestar o filho, em particular, que o faça, mas seria demais obrigá-lo a convocar a imprensa para presenciar o “carão”. O filho, senador, deputado, ou vereador, ficaria desmoralizado, e seu eleitor logo pensaria: — “Como votei nesse idiota novato, nesse sangue de barata que leva pito do pai, em público, como se fosse um menino”?

Outra coisa que aumenta a má-informação dos países europeus sobre a atual presidência, no Brasil, é a permissão de Dilma, Lula e amigos poderem sair pelo mundo fazendo palestras e dando entrevistas desancando o presidente que os derrotou nas urnas. Sem um contraditório, a plateia estrangeira engole qualquer versão. 

Com voos e estadias pagas pelo governo brasileiro, acompanhados de inúmeros assessores, esse pessoal molda a “realidade” conforme seu gosto e rancor. A audiência estrangeira, não sabendo o que realmente ocorre no Brasil, talvez tente, depois, um ou outro, se informar um pouco mais, na mídia de seu próprio país.

Lendo, porém, nos jornais, as transcrições dos piores momentos e palavrões proferidos em reunião privada governamental — em momentos de desabafo —, fica horrorizada com o que ouve e conclui que “esse presidente brasileiro é mesmo “um monstro ignorante, um ‘caos’, devendo ser logo expulso da função”.

Por sua vez, a imprensa brasileira, lendo tais opiniões estrangeiras apressa-se a difundir aqui esse mau juízo estrangeiro que é o mero resultado da própria campanha brasileira de desmoralização de um presidente que tem alguns defeitos sérios de comunicação verbal mas ainda não decepcionou seus eleitores na intenção de estancar roubalheira no país.

Os eleitores de Bolsonaro, de primeira hora, continuam pensando: — Entre um presidente “grosso, mas honesto” e outro “fino, culto”, mas inconfiável, ainda fico com o primeiro”.

Jornais certamente não gostarão deste artigo. Lamento, mas é minha opinião. Sou ainda assinante das duas versões do Estadão, em papel e on-line; e da Folha e de O Globo, apenas on-line. Do Estadão, gosto da página 2 — apesar dos ataques diários ao Bolsonaro —, dos cronistas, menos um, e do erudito “Aliás” aos domingos (no momento enxutos demais). Espero que a isenção volte a prevalecer no futuro próximo, mantendo a velha tradição dos Mesquita.

Poderíamos continuar, mas quem aguentaria ler mais parágrafos?

(12/06/2020)  

quarta-feira, 10 de junho de 2020

“Bronco” não é Bolsonaro.



Broncos”, ou juridicamente desonestos, são seus inimigos, hoje unidos pela ambição de ganhar, no tapete, a presidência. Para completar, querem anular a chapa, impedindo a posse do vice-presidente. É muito desrespeito à vontade popular.

Considerando que todo brasileiro, de qualquer idade, pode estar com o coronavírus — com ou sem sintomas —, podendo contagiar, e considerando que é impossível colocar 210 milhões dentro de uma bolha individual de plástico, a solução mais racional foi aquela mencionada pelo deputado Osmar Terra: presumir que todo cidadão já foi ou será contaminado pelo vírus. Em seguida — acrescento —, deixar a critério pessoal, quem tiver menos de 60 anos, levar uma vida normal.

Se não precisar trabalhar, não trabalhe, mas não receberá dinheiro do governo. Quanto aos idosos, recomendar que evitem contatos, mas sem proibi-los de sair de casa. Quanto aos testes de contágio, não estimulá-los; primeiro porque são imprecisos; segundo, porque, se der positivo, o pavor de morrer leva o apavorado a deixar de trabalhar — mas ganhando... — procurando internação desnecessária, sobrecarregando o sistema.

Bolsonaro está certo prevendo que a paralização prolongada da economia será mais prejudicial e mortal, no país que o próprio coronavírus-19. Lembrar que o vírus pode voltar, modificado. Se existe o “19” é porque já existiram os 18,17.16, etc. Enquanto não houver vacina, que se experimente remédios antigos, com potencial de alguma eficácia.

domingo, 7 de junho de 2020

Without conjugal forgiveness, what will families be like?


Francepiro

As a retired magistrate, from time to time I am consulted informally by spouses, on whether or not to judicially separate. They are eager to know what will happen in the so feared “tomorrow”. Doubts about how assets will be divided, limits of the eventual alimony (the most difficult aspect), custody, visiting rights and a number of already well-known questions associated with every legal separation.

Undoubtedly, despite the varied statistics from country to country, a husbands' infidelity is what mostly leads wives to seek separation. The signatory of this article - even without any specialized training – has but just a snoopy curiosity about the most controversial aspect of the Law-Biology relationship. Therefore I think it is never deemed enough to provide betrayed wives some information – as well as  just a couple of mere intuitions - which will possibly help form a much better scenario of the problem plaguing them. The decision on what to do will certainly be difficult. Strictly legal considerations can bring more regret than happiness. However, by then it will be late, since time consolidates both right and wrong legal unions. Some say second marriages lasts longer than the first not because “the right person” was found in the second one, but because man, exhausted from the problems arising from the separation, has no longer patience - neither money - to face a new battle, or guerrilla. He just keeps carrying on, when the second union no longer arouses the enthusiasm of before. - "Will I have to pay one more alimony"? This is what often troubles him.


To begin with, it is necessary to admit, albeit with some moral disgust that man, just by being a man – and in accordance with Christianity, “made in the image and likeness of God”, an utter insult to the Creator's creation competence - complies nevertheless with Biology. It is suffice to see he has nails, hair, beard, saliva, canines (suitable for tearing flesh) and countless of other unnecessary attributes for a spiritual being. He knows how to kick with the four members (martial arts), snores while sleeps, stinks strongly (when he does not bathe). Is usually gluttonous, bossy, slobbers, sensual, ambitious, cunning, envious and sometimes treacherous. When challenged and positive regarding impunity, he dares the worst atrocities. Those who doubt this do not need to inform themselves in books of Forensic Pathology, all there is to do is to read a few chapters of the Universal History. As a simple example, it mentions the Spanish colonizers of Patagonia angry at the fact that the Indians did not respect their fences and ate their sheep - the natives had no notion of private property and thought that sheep were a type of llamas, their usual source of food supply - ruthlessly killed them. Moreover, they even poisoned the flesh of stranded whales. Finding, before the natives that a whale had run aground on the beach, they poisoned its flesh knowing the Indians would feasted on such voluminous gift from the sea. Sure enough the natives died by the hundreds. With such practices, they “cleaned up the area”. The local beauty to me unexpected - I saw it personally – of the far south end of Patagonia - hides a dark past, which is not even worth remembering. 

Such animal-like "features" of the human being, however, were useful for the preservation of the "Homo Sapiens" species (another arguable compliment). If our ancestors living in caves had been extremely docile, prone to fasting, disinterested in sex and not cunning, the human race would have probably been extinct. Especially if the so-called strong sex (questionable praise, again) had a low sensuality. As children died by the hundreds, victims of disease, malnutrition, and predators, the male cave dweller made up for such child slaughter - even without of course, having the slightest awareness of why he was sexually gluttonous - by fertilizing as many females as possible from his or the neighbouring group. He followed the procedure of the other mammals, almost all polygamous.

Female harems have always been the rule. The male counterpart, non-existent or an exception. When we speak of "matriarchy”, we mean the domination of the group by women, not the fact that they have, as far as I know, a large number of males to cohabit with simultaneously.

This natural polygamy of primitive man was a crude but effective way of guaranteeing the propagation of the species not only in terms of quantity of human beings but also of quality. This is due to the dominant male - practically the only "owner of females" - being the best carrier and transmitter of the then most valuable genetic qualities: brute force, shrewdness and aggressiveness. Were monogamy the rule in the biological evolution of mammals, the immense amount of sperm released in each carnal intercourse would be totally wasted when the mate was pregnant, therefore temporarily sterile. Seeds wasted, therefore. Hence, the incessant search for new sexual partners that could produce offspring, making up not only for the huge infant mortality but also for the early death of warriors or hunters, killed in constant tribal fighting or  predatory animals. Gluttony itself, eating exaggeratedly - today a very unpleasant vice to witness, but not to practice - was also a form of "virtue", since in those primitive times, before the advent of precision agriculture, there was no certainty if it would be possible to eat the next day. A moderate, elegant eater, praised today, was much more likely to die from starvation than a "glutton" who stuffed himself, forming reserves in the liver and fat tissue, thus resisting more to fasting forced by lack of food. Today, gluttony is harmful since in the civilized world we have meals available at least three times a day.

In short, today's man - and the betrayed wives need to remember - this is the outcome of the animal evolution of millennia, still carrying with it primitive characteristics, which in remote ages had its usefulness. One of them namely the instinctive propensity for infidelity.

It happens that, over the course of a few centuries, man - in the manner of snakes, who get rid of its old skin - found out that such "qualities" stemming from his ancestors deemed no longer necessary. On the contrary, they turned out to be flaws. There were no more natural predators. Not so many new-borns died anymore. The brute strength of the dominant male became an excrescence since the physically weaker male, living in society could organize themselves and defeat those biologically stronger. The state was created, a powerful abstract entity but also of very concrete strength, which could hang or imprison the most muscular and aggressive component of the group. Monogamy - at least the official one - became the rule. If Muslim countries still admit polygamy, this occurs - according to those who know the subject - as the Arab tribes lived in constant warfare among them, with large numbers of dead warriors. It would therefore be necessary to have a more effective system to "supply lives" other than monogamy. Hence the origin for the Muslims to have more than one wife, provided he could afford to support them.

Moreover, Christianity emerged, a religion inspired by the noblest desires of man, seen here only from the viewpoint of human race. Attempting to find peace among men, one of the greatest characteristic of this peace would be a monogamous marriage, idealistically perfect, as the number of men and women born is roughly the same. Each to his wife, until death do them part. No fights nor disputes for the neighbour's wife. Well, theoretically, for the spouses and not just theoretically for the children, who always suffer in some way or the other with the separation of their parents.

However, if this is good in theory, the study of real behaviour practice shows that the elegant cover of Christianity is a model made by a tailor much more idealistic than attentive to the real shape of the quasi-animal he dressed up.

Statistics show a high percentage of worldwide male infidelity. This is a fact, albeit unpleasant to know not recently increased due to the fear of AIDS. Since  the quasi-beast is but a few million years old (if we bear in mind the period when he was a fish), it is natural that this immense and tenebrous past makes him squirm and scratch when they put on a very elegant, noble moral clothing, but somewhat at odds with his more primitive nature. It is the same as catching a coalman - I mention this occupation because I imagine it no longer exists - bathe and dress him up in a very elegant tuxedo to attend a sophisticated reception at Itamaraty, and make him pretend to be a diplomat. After a few hours of misery, with a stiff and tight collar and shoes, which are too tight, holding a glass of champagne emptied out continuously, he will end up making a number of gaffes.

This gaffe, in the modern husband, is called infidelity. It is the old bottled up instinct, which half asleep, is what for dogs would correspond to the "call of the jungle", from the writer Jack London, and which Robert Louis Stevenson immortalized in his "The doctor and the monster".

Here I am neither defending the "wolves", nor stimulating the hesitant "near-wolves", who still dither over joining the pack. I am just trying to understand and explain what happens in real life. In any person's circle of relationships, it is common to know that an "x" couple is splitting due to betrayal. Most of the time committed by a mature man, who preferred a woman younger than his wife. In addition, it seems that there is also a biological explanation for this age difference without a conscious awareness from the somewhat retarded and grey-haired stallion.

Man, in this case, does not even know he is used by “wisdom" embedded in the genes, a biological "board" which, in my opinion, works on the sly. The genes know that younger women have a long period of fertility ahead of them, much longer than mature women, who may even be sterile due to menopause. The thin waist of young women - in contrast to the wide hips - which attracts men so much, can only be a biological warning that "the oven is empty" - sending a signal to "fill it" with pregnancy. Moreover, the broad hips seem to favour easier births. All the characteristics of female attraction coincide with greater health, good for pregnancy. The only item for which I have not yet found a biological explanation is the exceptional importance of the beauty of the female face, an attraction that does not always coincide with the good health of the woman and her aptitude to generate vigorous offspring. A tuberculous, or anaemic cancerous, face can arouse passions. Is the appreciation of the physiognomic women beauty a biological sign that man has evolved extraordinarily? Animals are attracted by smell, not by beauty.

All right! All right! - will say the angry female reader faced with such a "simplistic" and biological approach to her problem. — I admit there is still a lot of animal instinct in man, but he needs to know he is no longer an animal! He is endowed with rationality! If we were to forgive this primitive aspect, it would be senseless for criminal law to exist. Man, in extreme situations kills, rapes, steals and even tortures. Do these acts, I ask, deserve "understanding" for the simple reason of being spontaneous remnants of its inlaid animality?”

The reader is right in stressing her idealism. However, my intention here is not to "give the animal carte blanche". It is to show all aspects of the "infidelity" phenomenon, avoiding the rush to seek a lawyer and file for separation. It is the wife's first reaction, particularly when the slip has become notorious. Especially when her friends also heard about the affair. - "If only they didn't know..." - And such frenemies sometimes contribute towards the separation decision. They seem to ask, subtly, if only with their eyes: - "Aren't you going to do something..." - There the betrayed one "does act", reluctantly pressed by the duty to "react". However, often she regrets it. And it is quite possible that the "friend" is keeping an eye on the betrayed woman's husband. This hastiness may also be a reaction foreseen by the interested party, "the other", who is after a husband and not a married lover. I know of cases in which the wife regrets the decision. Not to mention eventual situations of changed positions: the husband, already living with "the other", visits his ex-wife to talk about children and there it happens, sexually, what moral and brio do not recommend. The ex-wife becomes "the other", the mistress, with all the burden of self-reproach for having given in to temptation.

Loneliness is not always better than life for two. The "affair" that caused the separation or divorce may have had shallow roots or even no root at all. We must remember that just as "the rascal" got sick of his wife, he can also get sick of the "other one", quite fast. I know of such an affair. The house cleaner, to please the mistress, told her about the overheard compromising phone conversation, between the master of the house and a woman. The wife reacted in the act. She sought counsel and the separation took place. The husband had no option but to leave. However, not to "live" with the one who eventually caused the problem. Actually, he never visited her. He did not return to his house because he had been the object of so many insults during the separation process, he ended up remembering his wife as a hateful snake. He imagined that if he returned, he would lead a life of a convict in conditional release, constantly watched, ears bursting with constant allusions to his mistake. He preferred to live alone and after a while, with a son. The ex-wife, already mature went on living alone, for all I know. Two unhappy lonely people. All because a house cleaner wanted to be nice to her mistress.

As this narrative is already too long and the Internet is a rather inappropriate forum for dissertations, I bestow here additional short data on the role of the biological mechanism that commands the animal kingdom, with repercussions on human beings, who are not yet angels. Panda bears are in danger of extinction. When in captivity it is common for the couple not to reproduce. I have learned that in some zoos scientists have done everything they can to make the bear couple produce puppies, but in vain. They tried - this is not my imagination, check out its own literature - to "break the ice" even with the exhibition of "pornographic films" (for me a nonsense) - in this case, panda couples in the middle of the act. And they have come to the point - sit down so as not to fall down - of administering "Viagra" to the male panda, with no result. Now - it is only my intuition - I can almost bet that if another female, or male, or other males and females were introduced into the cage, jealousy would trigger the biological mechanism that would lead to the fertilization perhaps of all females. This is because the dispute, the competition, the jealousy, are mechanisms to select the best. Add to this, reader another impressive fact - the egg is normally fertilised by only one sperm, but if it reaches the egg alone it does not receive it, it does not open, and fertilisation does not occur. Because "miss" egg makes a point of selecting, choosing the best one. She seems to think like this - "Excuse me, my dear, I make a point of choosing. How do I know you are the best?"

Considering all of this, the biological load that we still carry, I renew my advice to betrayed women: do not act hastily. Judicial separation should only be required when infidelity is a sign that all the rest of coexistence is already shattered. The husband who cheated - if he is a good husband in everything else and a good father - feels intimately bad when his conscience accuses him. And it accuses him with a special virulence when he realizes his wife to be a worthy companion, polite, capable of shutting her eyes and suffering in silence for a short period. A chance for the good, moral spouse's side to prevail over the more selfish and animal side that man carries involuntarily.

Finally, I will say something "kind of strange" about male betrayal that may not be believable by most readers from both genres, accustomed to listening and reading only platitudes. According to the current version, the married man cheats only driven by sexual dissatisfaction in his relationship with his wife. Not always, believe me. Sometimes it is not libido that causes betrayal but the power of unusual beauty. In other words, the subject thinks - "good and even much better sex, I already have at home, but how to resist such beauty"? Certainly, this citizen, who married rather early, usually suffers from the frustration of not having had in his arms a woman of such beauty. He just does not want to die feeling such frustration. That is why he cheats, without ever thinking of changing his wife. If he had more sense, he would not cheat. But who said rationality drives man?

To lighten the heavy environment of all the above considerations it is perhaps licit to tell an anecdote related to the subject here.  A groom, worried about his tendencies to, say, multiplicity of loves, sought out the priest the day before the wedding. He asked him a favour - to pretend forgetting to mention the "promise never to betray his wife, until death do us part", etc. He explained he did not intend to be unfaithful, however he would prefer to do this "from his inner self", without being forced into a formal promise at the time of the ceremony. In exchange, he gave the priest a check for five thousand dollars to help in the church reform. The priest took the check and left, without a word. The next day, at the ceremony, the priest looking straight into the groom’s eyes demanded loud and clearly - "John Doe, do you promise to be faithful until death do you part'' take coffee to your wife in bed? To pay, without complaining, all the expenses with a credit card, even if you consider them way too excessive? Keep at least two maids and a driver at her disposal and never make a sour face"? Swallowing dry, the groom agreed to everything, but soon after the ceremony, he sought out the priest censuring him: - "I thought we had a deal...” to which the priest handed him the check for five thousand and replied: "The bride doubled the bid."

As for female betrayal, I do not dare address it. Let alone ask confidences.

(Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues (Francepiro) is a Brazilian author.Translation from Portuguese by Victoria Fernandes (victoriafernandes@hotmail.com)



quinta-feira, 4 de junho de 2020

Fake News, Fake Interpretation e o STF


Todos protestam, com razão, contra as “Fake News”, mas muito pior do que ela é a “Fake Interpretation”, a interpretação falsa, insidiosa, contra a qual não é possível um ataque rápido porque todo ser humano tem o direito, constitucional, de externar seu pensamento desde que, assim fazendo, não viole (obviamente) alguma norma legal. O problema é que uma falsa interpretação, dolosa, pode ocorrer em qualquer tribunal de última instância, de qualquer país, sob qualquer regime. Em ditaduras francas — Hitler, Stálin, Castro, Kim Jong-um, etc. — isso era e é a regra. Em países democráticos o dolo interpretativo, na instância última, dá muito mais trabalho para ser comprovado.

Fake News. Quando ela ocorre, não é difícil comprovar sua falsidade. Basta checar as fontes. Se alguém disser, por exemplo, que um presidente disse algo que ele não disse é só conferir as gravações de suas falas. Não as havendo, a Fake News torna-se pública, desmoralizada, e seu difusor poderá sofrer as penas da lei.

Já a falsa interpretação judicial — talvez, com a “boa intenção” de fazer “justiça por vias tortas” —, o desmascaramento é muito mais complicado. Pode exigir, do ouvinte, ou leitor, conhecimentos técnicos de Direito, Ciência, Economia e todo um vasto campo de informação e leituras inacessíveis às camadas populares. A mídia, mais intelectualizada, poderia demonstrar a verdade oculta mas quem disse que todo jornalista escreve apenas o que pensa? O grau de sua liberdade é limitado pela direção do jornal. E mesmo esta pode ter suas amarras ou conveniências econômicas e/ou políticas. O instinto de sobrevivência existe tanto nas pessoas físicas quanto nas jurídicas.

Considerando que dos três Poderes, o único que não pode ser contrariado, na esfera própria — quando decide em última instância — é o Judiciário. Justamente por ter a palavra final, esse imenso poder dado a um pequeno grupo de homens — é aquele que mais exigirá de seus julgadores virtudes quase sobre-humanas, não exigíveis nos Poderes Executivo e Legislativo.

Políticos lutam essencialmente pelo poder. É a sua função. Não têm compromissos invioláveis com a verdade e a justiça. O “patrão” deles é quem os financiam e o eleitor, não a própria consciência.  

Com um julgador de última instância, o caso é diferente. Podendo, em decisão irrecorrível, “transformar o branco em preto”, satisfazendo seus sentimentos mais profundos e sinceros de amizade e gratidão — ou ódio e vingança —, é preciso uma vontade de ferro, quase fanática, para dar razão a quem a tem — “aquele maldito!” —, rangendo os dentes, quando ainda os tem, naturais. E quando o ódio torna-se demais, esse veneno orgânico como que endoidece ou embriaga seus neurônios.

Por tudo isso é lícito, e constitucional, que o Senado do Brasil possa julgar e afastar um ou mais Ministros do STF quando tiver fortes argumentos, e provas, diretas e/ou circunstanciais, de que ele age com gritante parcialidade em casos específicos, principalmente nas decisões monocráticas.

Esperar que seus colegas de Tribunal tomem providências contra quem perdeu a isenção é ignorar a realidade do sprit de corps, que existe em todas as profissões, sem exceção. Além disso, se afastado um colega, por incontrolável parcialidade, a quebra do paradigma de “isenção absoluta” poderia se tornar rotineira e isso infernizaria o exercício da profissão de julgar, em que sempre existe um lado que perde e não se conforma com isso. Seus colegas pensam: — “Se a moda pega, quem vai querer ser Ministro do STF? Será melhor chegar ao STJ e dali não subir mais, porque os inconformados ainda podendo recorrer ao STF, não vão pedir a minha cabeça”.

Quanto à possibilidade jurídica de qualquer um dos três Poderes de pedir a intervenção das Forças Armadas para “garantia dos poderes constitucionais e por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, isso está expresso no “caput” do art. 142 da Constituição Federal.

Note-se que a lei, sabiamente, fala em “qualquer destes” poderes. Se, exemplificando, o STF decidisse, por maioria, que o Presidente da República, seu Vice e seus principais ministros fossem presos preventivamente porque estariam pensando em instalar uma ditadura, o Presidente poderia, no máximo, tolamente, pedir uma “reconsideração”, ou habeas corpus ao próprio Tribunal? Seria inútil, porque quem decidiria seriam os próprios interessados nas prisões ilegais.

Se, ao contrário, o Presidente, abusando de seu poder, mandasse prender alguns Ministros do STF, “por julgarem mal”, estes poderiam requerer a intervenção das Forças Armadas, que teriam de agir de imediato, contra o Presidente, porque as Forças Armadas, pela CF, são instituições em defesa do Estado, não do governo, Estado composto de três Poderes, independentes e com direito à independência.

Em situação de normalidade das instituições, o Presidente tem a autoridade suprema das Forças Armadas. Isso porque não teria sentido que os três poderes pudessem, simultaneamente, administrar  exército, marinha e aeronáutica. Seria um caos administrativo. Porém, instalado um conflito de poderes, seria necessário, que um “terceiro” poder entrasse em cena. No caso, as Forças Armadas. Não para ficar no poder, mas para corrigir apenas o abuso da força, mantendo cada poder na sua missão constitucional. E, no Brasil de hoje, felizmente — como todos sabem e sentem —, nossos militares não aceitarão qualquer convite à ilegalidade.

Finalizando, Bolsonaro sente-se acuado, como governante e por isso grita. Tudo o que diz ou faz, é negado ou deturpado. Ajudou na eleição de vários governadores mas estes pensaram em descartá-lo, porque caiu na asneira de dizer que pretende se reeleger em 2022. Foi sua sentença de quase-morte política. Quase, como as facadas. Espera-se que sua sinceridade ingênua seja corrigida por ele mesmo, porque a realidade de governar é um “cursinho rápido” de sobrevivência. Bolsonaro, pelo que sei, nunca ocupou, antes, cargos administrativos. Como calouro, eleito, tem aprendido por tentativa e erro.

Entretanto, como ele continua sendo como sempre foi, e teve milhões de votos, sua honestidade pessoal e sua franqueza —, dizendo palavrões em uma reunião interna que não sabia que seria publicada inteiramente — milhões de seus eleitores exigem que ele termine seu mandato. Seus eleitores prefeririam, talvez, que ele fosse mais contido nas suas indignações, mas o escolheram não por seus modos “gentis’, mas por sua coragem e determinação de acabar com o desleixo ou desvio do dinheiro público.

Não se alegue que Bolsonaro deve ser impedido de continuar porque muitos de seus eleitores só votaram nele porque era o único candidato capaz de impedir o retorno do petismo e da corrupção em escala bilionária. Isso ocorreu realmente, inclusive no meu voto, mas muitos milhões votaram nele porque já o apoiavam antes, de longa data, por suas boas intenções, coragem e sinceridade — artigos raros na política.

Em suma, todas essas reuniões de “notáveis” para afastá-lo do poder, pretendem apenas alterar as regras do jogo. Se ele for afastado, inventarão — não tenham dúvida — uma interpretação jeitosa que impeça sua substituição pelo Vice. Mourão, equilibrado e bem informado, poderá fazer uma ótima administração e se eleger em 2022 atrapalhando os planos dos que, provisoriamente unidos, vão depois se entredevorar. Seria a morte na alma. Não terão paciência para tanta espera.

(03/06/2020)

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Bolsonaro e o STF


Diz o art.23, inc.II, da CF que “É competência comum da União, Estados e Municípios cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência”.
Alguns ministros do STF, no intuito de trocar um presidente da república que nãos lhes agradam —, decidiram que União, Estados e Municípios têm competência comum, igual, para cuidar da saúde pública. Assim, sem pensar nas consequências, prefeitos e governadores podem ditar regras diferentes das do presidente, tanto no combate à pandemia do covid-19 quanto na forma de terminar o isolamento.
Essa decisão do STF impossibilita o funcionamento harmônico das instituições. Estimula a impressão de que querem impedir Bolsonaro de governar.
Imagine-se a anarquia de 5.570 prefeitos ditando regras próprias, conflitantes, para lidar com a covid-19. Os governadores dos estados iriam tolerar essa bagunça? Não. Pressionariam seus prefeitos para que seguissem sua opinião, sob pena de represália. As prefeituras dependem muito dos governadores, em matéria financeira e em segurança. A aguarda municipal nem porta armas.
A intenção do art.23, inc. II, da CF é apenas estimular, genericamente, os três níveis de governo a cuidar da saúde pública, caso haja omissão do poder central. Havendo choques de orientação, caberia ao poder mais alto, a União, estabelecer sua política. E Bolsonaro tem fortes argumentos: o combate ao à covid-19 não pode ignorar o desemprego e a miséria do país. Não é avestruz.

sábado, 16 de maio de 2020

Psychiatry cannot be manipulated for political purposes


With all due respect, the insistence of a few “smart guys” is unreasonable in submitting Jair Bolsonaro to a psychiatric examination, with a view to his rapid, convenient and politically ‘cheap” removal from the presidency of the republic without any need for impeachment.

It is one thing to disagree with the words and attitudes of a combative, argumentative president of a strictly military background, of limited general, legal and literary culture and who is much too frank, even “coarse”, but who was and still is supported by millions of Brazilians who will probably not turn a blind eye to his easy removal based on suspicions raised via “psychiatry”. They will say: — “If Bolsonaro is “crazy”, then we are too, because we think and feel the same way!”

As in the case of all sciences, psychiatry seeks to evolve, but due to the fact that it works with the brain, our most complex organ — much more complex than the liver or kidneys, for example — it is very likely subject to mistakes and slip-ups in its procedures.

One of these blunders would be a psychiatric report, produced for clearly political reasons, stating that the person investigated is mentally incapable of fulfilling his mandate. If he is insane, then there are dozens and dozens of individuals who are just as insane, or even worse than him, throughout the country. It would be necessary to examine more than one hundred people suspected of being “soft in the head”. Many of them crazy for taxpayers’ money. Others, crazy for transforming draft bills, submitted by the Executive Branch — with a view to “cracking down” on criminality — into laws with the opposite effect that are only going to create further obstacles in the fight against white-collar criminals.

In the past, patients suffered from painful electric shock treatment of dubious effectiveness. One of them even stated that it would be possible to illuminate a medium-sized town with the amount of electricity that had gone through his head.

When they did not die from lobotomies or leucotomies, aggressive schizophrenics became “docile” and passive, but with intellectual defects. As far as I know, and I am not a doctor, these two forms of surgical treatment are no longer in use and brain science continues to be full of uncertainty. The blame does not lie with practitioners, but with the complex nature of their object of study.

For this reason, a diagnosis regarding the mental sanity of the acts of a president of the republic, at a very difficult time for the country — and, indeed, the rest of the world — will be seen, quite rightly, as a “coup”, even if the psychiatrists that examine him are mentally honest.

The risk of any bad faith in removing Bolsonaro for reasons of mental illness will not lie with the physician, but the politician or lawyer responsible for selecting the members of the medical committee. Once with a list of psychiatrists, ensuring he is alone with each one, he will ask — requiring simply “yes” or “no” as an answer — whether Bolsonaro is “half-crazy or abnormal, incapable of continuing to govern”.

Based on the political preference of the physician, asked unexpectedly, if he says “yes”, he will be included on the list of possible members of the medical committee. If he says “no”, or “I have not yet made up my mind ...”, his name will be removed without him even knowing. With this selection of prior, extremely subjective political opinions, it would be easy to remove any president of the republic.

Bolsonaro is really reckless and rude when he speaks, in an improvised manner, but his voters prefer a sincere president with an honest past, instead of lying politicians, who are truly walking collections of hackneyed phrases defending the “legitimate rights of citizenship”, but not averse to pocketing, as “intermediaries”, a variable percentage in all high-value government business dealings.

It is possible, and desirable, that Bolsonaro soon correct his naive frankness — pondering the terrible consequences of sincerity — and avoid speaking in an improvised manner on sensitive issues, remembering that his enemies — experts in hiding their real intentions — use “opportune silence” as a “weapon”, a more effective tactic than impulsive sincerity. Viewing silence as a “weapon”, or combat technique, perhaps the president, as an ex-soldier, feels more highly motivated to utilize the useful side of silence. Many politicians have been successful and resilient because they cultivated the “art of  remaining silent” when this was better than speaking. Silence is a great blanket. Getúlio Vargas was a master in this. Luís Carlos Prestes, an extremely intelligent communist, always the top of his class in mathematics, ruined his future when, during an interview — asked about which side he would take if there were a war between Russia and Brazil — he replied that he would support Russia. This was his downfall.      

In general, the oral communication of a military man is harsher, more direct, than that of a professional politician. Napoleon Bonaparte, a military man of exceptional intelligence, a great statesman, was also excessively frank, although brilliant. For example, he said that Constitutions “should be short and obscure”, a phrase that would currently lead to a bout of fainting on the part of respected constitutionalists and ministers of the Supreme Court. With regard to religion, he said that it was useful because “it prevented the poor from killing the rich”. Referring to his ex-minister of foreign affairs, Charles-Maurice de Talleyrand — an educated politician who later became his adversary — he said that “Talleyrand is shit in a silk stocking” (begging your indulgence).

Psychiatry, given the elasticity and uncertainty of its limits, still makes it possible to recognize or “invent” anyone as “sick” with ideas or attitudes that go against majorities, minorities, governments, other psychiatrists or whoever chose them to examine a political enemy. In this case, it is clear that the enemy would be the current president.

There are historical precedents.

When the Soviet Union had Leonid Brezhnev as its General Secretary, Russian psychiatry used and abused the ruse of recognizing anyone who disagreed with official policy as “sick”. The psychiatrist, chosen by him, would recognize the opponent as suffering from “philosophical intoxication”, or “progressive schizophrenia” — a commissioned scientific innovation — and this was sufficient for the stubborn wretch to be “interned” for an indefinite period of time.

It was a way of silencing a dissident without having to kill him, as in the time of Stalin. This “Father of Nations” was very much more direct and virulent than his successors, as he physically eliminated his adversaries — taken from their homes, in the middle of the night — without being worried about the opinion of the public, which could not even have an opinion as there was no free press. When Stalin realized that his political future was at risk, he used his highest court to first “judge” his ex-comrades of the Revolution as “traitors”. Then he executed them. In order to facilitate rapid judgment, the accused were tortured or blackmailed into “confessing” their crimes. Fearing death and also thinking of his family, the dissident perhaps “confessed” with some hope of remaining alive. Vain hope. From the reports I have read, he killed them all, without exception. If you would like to learn more concerning this topic, just read about “The Moscow Show Trials” (1936-1938), during the Great Purge. This small digression shows that political dissidents can be removed not only by psychiatric reports, but also by magistrates.

In the case of Bolsonaro — the mass of voters thought — his misfortune, suffering stab wounds, was not solely moral. It was also physical, with a risk of death and likely planned. Not only by the perpetrator, someone called Bispo who, rather than being crazy, seems to only be a lucid fanatic who carefully planned everything and was able to count on legal assistance soon after his arrest. If Bispo is crazy, then Marat, Danton, Robespierre (guillotine), Hitler, Lenin, Stalin, Mao Zedong, Fidel Castro, etc. would also be crazy, because they killed hundreds of millions of opponents for reasons that we consider to be cruel and inhumane, but not indicative of insanity.

Finally, there is no solid basis for removing Bolsonaro from power before the end of his mandate, something that would delight many people eager to occupy his place. I voted for him as a means of preventing the return of politicians with a greater number of flaws in administering handling taxpayers’ money. At present, his enemies are united and smiling, but, on attaining their objective, they will devour each other with exemplary ferocity.

With regard to the mediocre and encouraged “dispute of comrades” between Moro and Bolsonaro, this rupture between two people who will still be very useful to the country was organized and motivated by politicians, magistrates and the media, who wished to put an end to the Lava Jato corruption investigation and administer the Republic in their own preferred manner. It is my hope that, in the not too distant future, Moro and Bolsonaro — each with their own specialty — will work together in cooperation. One with his competence as a magistrate, the other with his courage to fight with great bravery. The latter perfected with the virtue of the right silence at the right moment.

(This article was written in Portuguese and translated by John Upson. Francisco Cesar Pinheiro Rodrigues is a Brazilian writer, retired judge, resident in São Paulo, Brazil, with several published books. He wrote more than 200 articles, on the most varied subjects, which can be read, in Portuguese, on blog "francepiro.blogspot.com" and on the website www.500toques.com.br. His e-mail is oripec@terra.com.br

(14/05/2020)

terça-feira, 12 de maio de 2020

Bolsonaro, psiquiatria e canibalismo


      Crédito: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Como o artigo “Exame psiquiátrico de Bolsonaro” —, publicado no meu blog e no Facebook — teve alguma repercussão mas apareceu em forma reduzida no site “500toques.com.br”, considero ilustrativo publicar um crime ocorrido em 1981, em Paris, que mostra a possibilidade de conclusões totalmente opostas de psiquiatras — no caso, entre franceses e japoneses — sobre a sanidade mental do acusado. Foi o caso de um escritor japonês que, na França, foi considerado louco, e no Japão, “não-louco”. Em ambos os países as decisões transitaram em julgado. Ele é e não é maluco, conforme o país.

Aproveito esta oportunidade para, como “defensor” gratuito de Bolsonaro, lhe dar um conselho amigo de ancião, ex-magistrado, que prefere que você continue no cargo até o fim de seu mandato, não abusando da sorte com declarações e atos que podem decepcionar seus seguidores. Estes mostram-se tolerantes e amigos, mas não são tolos nem fanáticos. Eles o apoiarão enquanto consideraram que você tem bom senso, é objetivo, forte, corajoso, bem-intencionado e que mantem-se no cargo por amor a seu país, não por vaidade, comprando brigas desnecessárias e dizendo que ficará no cargo até 2027. Seus inimigos abusam da má-fé interpretando dolosamente suas palavras, mas não lhes dê razões para criticá-lo com fundamento. O senhor é suficientemente inteligente para saber como proceder com destemor, sabedoria e classe. Mostre que não é apenas corajoso e franco, que é também inteligente. Não deixe seus seguidores na mão.

Voltemos ao caso do escritor japonês. Menciono seu nome porque se não o fizer alguém poderá dizer que estou inventando estórias.

O nome do autor japonês é Issei Sagawa. Em 1981, estudando em Paris, para pós-graduação, ele matou e depois “estuprou” ­— na verdade, tecnicamente, “violou o cadáver” — uma bonita e vistosa estudante holandesa, sua colega, na Université Censiers. Fez isso porque a holandesa — que o ajudava nas traduções naquele momento, no studio dele —, recusou suas propostas cheias de paixão e de libido. Issei, que tem a aparência de um anão mais desenvolvido, cabeçudo — vi uma foto dele —, mede 1,48 m e pesava, na época, 44 quilos, certamente bem menos que a holandesa. Esta, vendo no oriental apenas um colega, mandou que ele se concentrasse no trabalho que estavam fazendo. O japonês se levantou, pegou um rifle calibre 0.22 que estava num armário, atrás da moça, e disparou um tiro na nuca da estudante. Em seguida fez amor com o cadáver e depois cortou seus lábios, nariz, seios e partes pudendas, guardando-as no “freeze’ da geladeira para consumo futuro. E realmente comeu parte dessa carne até ser preso. Ele tinha essa estranha compulsão, ligando o ato sexual ao ato de comer. O caso é descrito resumidamente no livro do escritor canadense Max Haines, no “Book V” de sua série de “True Crime Stories”. O relato está na página 121, no capítulo “Fantasies Turn to Cannibalism”. Pena que essa série não tenha sido traduzida para o português.

O réu, após esquartejar o cadáver, colocou os pedaços em duas malas, que transportou de táxi. Pretendia jogar a carga macabra em um lago ou rio próximo. Na rua, dispensado o táxi, notou que as pessoas olhavam com desconfiança aquele japonês pequeno arrastando duas malas pesadas demais para ele. Assustado, abandonou os volumes na calçada, pensando não haver prova de sua vinculação com o homicídio. Com o passar das horas, o sangue das malas começou a escorrer pelas frestas, despertando suspeita e exame do conteúdo. A polícia só chegou a ele porque o motorista do táxi, lendo as manchetes dos jornais, lembrou-se do estranho oriental e tomou a iniciativa de procurar as autoridades.

Reunidas as provas irretorquíveis contra ele — encontradas em seu pequeno apartamento, principalmente na geladeira —, Issei confessou o crime mas foi considerado irresponsável, louco, não obstante ser homem culto e inteligente. Era fluente em alemão e francês. Estava na França para um doutorado sobre a influência japonesa na literatura francesa. O juiz determinou sua internação em uma instituição psiquiátrica.

Issei era filho de um rico industrial japonês. Passados três anos de manicômio seu pai conseguiu que fosse extraditado para o Japão, sob condição de ficar confinado em um sanatório para doentes mentais. A proximidade da família seria útil para seu “tratamento”. Decorridos, porém, 15 meses de internação foi dispensado. Os médicos nipônicos concluíram que ele era normal. A França nada pôde fazer porque cada país tem sua soberania. E, afinal, o que é “ser louco?”

Após sua liberação — diz Max Haines —, Issei Sagawa escreveu diversos livros sobre seu assunto favorito — o canibalismo. “Um saber de experiência feito”, como diria Camões. A família da vítima holandesa — cujo nome não menciono aqui por respeito à dor alheia — não deve ter boa opinião nem sobre a seriedade da Psiquiatria, nem sobre os bastidores dessa pomposa palavra, geralmente pronunciada com a boca cheia de ignorância inflada: soberania.

Por outro lado, a família de Issei deve ter pensado que todo homem merece uma segunda chance. Afinal, o oriental passou quatro anos e meio em manicômios, embora sendo “normal”, segundo os psiquiatras de seu país. Certamente, haverá quem pense que Issei foi enlouquecido pela paixão rejeitada. Já disse alguém que “O homem é fogo e a mulher, estopa. Vem o diabo e sopra.”

(11/05/2020)

                                                                   


sexta-feira, 8 de maio de 2020

Exame psiquiátrico de Bolsonaro? Ideia maluca.




Descabida, data vênia, a insistência de alguns espertinhos em submeter Jair Bolsonaro a um exame psiquiátrico visando seu afastamento — rápido, cômodo, politicamente “baratinho” —, da presidência da república sem precisar de impeachment.

Uma coisa é discordar das palavras e atitudes de um presidente combativo, “brigão”, de formação estritamente militar, com limitada cultura geral, jurídica e livresca, franco em demasia — até “grosso” —, mas que foi e ainda é apoiado por milhões de brasileiros que provavelmente não vão deixar barato sua fácil remoção por suspeita via “psiquiátrica”. Eles dirão: — “Se Bolsonaro é ‘louco’, nós também somos, porque pensamos e sentimos igual!”

A Psiquiatria, como toda ciência, procura evoluir, mas pelo fato de trabalhar com o cérebro, nosso órgão mais complexo — muito mais que um fígado ou rim, por exemplo —, é previsível que sofra tropeções e escorregões em seus procedimentos.

Uma dessas estopadas seria um laudo, sob evidente encomenda política, dizendo que o investigado é mentalmente incapaz de cumprir seu mandato. Se ele é insano, então há dúzias e dúzias de insanos iguais ou piores que ele, em todo o país. Seria preciso examinar mais de cem suspeitos de “miolo mole”. Muitos deles loucos por dinheiro público. Outros, loucos para transformar projetos de lei, enviados pelo Executivo — visando “endurecer” contra a criminalidade — em leis de efeito contrário, como se viu na invenção do juiz de garantia.

  Tempos atrás os pacientes sofriam com dolorosos tratamentos de choque elétrico de resultado discutível. Um deles chegou a dizer que com a quantidade de eletricidade que recebeu na cabeça estaria em condições de iluminar uma cidade de tamanho médio.

Esquizofrênicos agressivos, quando não morriam nas lobotomias, ou leucotomias, ficavam “dóceis”, passivos, mas com deficiências intelectuais. Pelo que sei — não sou médico —, essas duas formas de tratamento cirúrgico estão hoje em desuso e a ciência do cérebro continua recheadas de incertezas. A culpa não é dos praticantes, mas da natureza complexa do seu objeto de estudo.

 Por essa razão, diagnóstico a respeito da sanidade mental dos atos de um presidente da república, em momento dificílimo para o país — e o mesmo ocorre em nível mundial — será visto, com razão, como “golpe”, mesmo se os psiquiatras que o examinarem forem mentalmente honestos.

O risco da eventual má-fé para afastar Bolsonaro por doença mental, estará não no médico mas no político, ou advogado, encarregado de escolher os integrantes da junta médica. Tendo em mãos uma lista de psiquiatras, ele perguntará, a sós, a cada um deles — exigindo como resposta “apenas sim ou não” —, se Bolsonaro é “meio pancada, ou anormal, incapaz de continuar governando”.

Conforme a preferência política do médico, indagado de supetão, se ele disser que “sim” entrará na lista de um possível integrante da junta médica. Se disser “não”, ou “não tenho ainda opinião formada...”, seu nome será riscado sem que ele saiba. Com essa seleção de opiniões prévias, políticas, extremamente subjetivas, será fácil remover qualquer presidente da república.

Bolsonaro é realmente imprudente e rude quando fala de improviso mas seus eleitores preferem um presidente sincero, de passado honesto, em vez de políticos mentirosos, verdadeiros cachos ambulantes de chavões defendendo os “lídimos direitos da cidadania” mas nada avessos a sacar, como “intermediários”, um percentual variável em todos negócios públicos de alto valor.

É possível, e desejável, que Bolsonaro se corrija logo da franqueza ingênua — pensando nas terríveis consequências da sinceridade — e evite falar de improviso em assuntos sensíveis, lembrando-se que seus inimigos — experts em esconder suas reais intenções —, usam o “silêncio oportuno” como uma “arma” tática mais eficaz que a impulsiva sinceridade. Encarando o silêncio como “arma”, ou técnica de combate, o presidente, ex-militar, talvez se sinta mais motivado a utilizar o lado útil do silêncio. Muitos políticos tiveram êxito e resiliência porque cultivavam a “arte de calar” quando isso era melhor do que falar. O silêncio é um grande cobertor. Getúlio Vargas foi um mestre nisso. Luís Carlos Prestes, um comunista extremamente inteligente, sempre primeiro aluno em matemática, arruinou seu futuro quando, numa entrevista —, indagado sobre de que lado ficaria se houvesse uma guerra da Rússia contra o Brasil — respondeu que apoiaria a Rússia. Isso foi a sua desgraça.      

A comunicação oral do militar é, em geral, mais dura, direta, do que a do político profissional. Napoleão Bonaparte, um militar de excepcional inteligência, estadista de grande envergadura, também era franco em excesso, embora brilhante. Dizia, por exemplo, que as Constituições “deveriam ser curtas e vagas”, frase que hoje provocaria desmaios em respeitados constitucionalistas e ministros do Supremo. Sobre religião, dizia que ela era útil porque “impedia os pobres de matarem os ricos”. Referindo-se a um seu ex-ministro de assuntos estrangeiros, Charles-Maurice de Talleyrand — político maneiroso que depois se tornou seu adversário —, dizia que “Talleyrand é uma meia de seda cheia de merda” (perdoem-me as leitoras).

A psiquiatria, pela elasticidade e incerteza de seus limites, ainda permite reconhecer ou “inventar” como “doente” qualquer pessoa com ideias ou atitudes que contrariem maiorias, minorias, governos, outros psiquiatras, ou quem os escolheu para examinar um inimigo político. No caso, claro, o inimigo seria o atual presidente.

Consultemos precedentes históricos.

Quando a União Soviética tinha como Secretário Geral Leonid Brejnev a psiquiatria russa usou e abusou do artifício de reconhecer como “doente” quem discordasse da política oficial. O psiquiatra, por ele escolhido, reconhecia o opositor como sendo portador de uma “intoxicação filosófica”, ou “esquizofrenia progressiva” — uma inovação científica encomendada —, e isso bastava para que o infeliz teimoso fosse “internado” por tempo indeterminado.

Era uma maneira de calar a boca do dissidente sem precisar matá-lo, como no tempo de Stálin. Este “pai dos povos” era muito mais direto e virulento que seus sucessores pois, eliminava fisicamente os adversários — extraídos de suas residências, na madrugada — sem preocupação com a opinião pública, que nem mesmo podia ter opinião particular porque não havia imprensa livre. Quando Stálin concluiu que seu futuro político estava em risco, usou seu tribunal máximo para, primeiro, “julgar” como “traidores” seus ex-companheiros de Revolução. Em seguida os executou. Para facilidade e rapidez de julgamento os acusados eram torturados ou chantageados para que “confessassem” seus crimes. Temendo a morte e também pensando na família, o discordante “confessava”, talvez com alguma esperança de continuar vivo. Vã esperança. Pelos relatos que li, matou todos eles, todos. Quem quiser saber mais sobre esse tópico basta ler sobre “Os Processos de Moscou” (1936-1938), durante o Grande Expurgo. Esta pequena digressão mostra que discordantes políticos podem ser afastados não só por laudos psiquiátricos como também por magistrados.

 No caso de Bolsonaro — pensou a massa votante —, o seu sofrimento, sofrendo facadas, não foi apenas moral. Foi também físico, com risco de morte, provavelmente planejada. Não só pelo executante, um tal de Bispo — que de louco parece não ter nada, sendo apenas um fanático lúcido que planejou tudo direitinho e contava com assistência advocatícia logo após a sua prisão. Se Bispo é louco, então Marat, Danton, Robespierre (guilhotina), Hitler, Lenine, Stálin, Mao Tse Tung, Fidel Castro, etc. também o seriam, porque mataram centenas de milhões de opositores por razões que consideramos bárbaras, mas não indicativas de insanidade.

Encerrando, não há fundamentação idônea para afastar Bolsonaro do poder antes de seu término, para alegria de muita gente louca de vontade de ocupar o seu lugar. Votei nele como forma de impedir o retorno de políticos com mais defeitos que os dele em matéria de zelo pelo dinheiro público. Seus inimigos estão, no momento, unidos, sorrindo, mas, conseguindo o objetivo devorar-se-ão com exemplar ferocidade.

Quanto a essa medíocre e incentivada “briguinha de comadres” entre Moro e Bolsonaro, essa ruptura entre duas pessoas que ainda serão muito úteis ao país foi arquitetada e estimulada por políticos, magistrados e mídia que queriam acabar com a Lava Jato e mandar na República do jeito deles. Espero que, em futuro não muito distantes, Moro e Bolsonaro — cada um com sua especialidade —, trabalhem em cooperação. Um com sua competência de magistrado, outro com sua coragem de lutar com muita coragem. Esta última aperfeiçoada com a virtude do silêncio certo no momento certo. 

(07/05/2020)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Bolsonaro está certo sobre como reagir ao coronavírus



Considerando que a epidemia não é apenas um problema médico-sanitário, mas também econômico-político, arrasador da economia, a melhor solução será a abrangente, global — de Bossolnaro — resguardando, na medida do possível, os idosos, mas tirando proveito do “ponto fraco” de um vírus que pouco afeta os jovens — ou não tão jovens —  prestando-lhes duplo benefício: a preciosa imunidade que lhes permitirá trabalhar, doravante, com desenvoltura, mantendo a economia em quase normal funcionamento e até, talvez, os imunizando  contra eventuais vírus futuros que tenham “algum parentesco” com o coronavírus-19. 

O presente artigo representa apenas meu particular ponto de vista quanto ao isolamento — total ou parcial — da população brasileira. Como não sou autoridade da saúde, nem cientista de profissão, aconselho o leitor a decidir — isolando-se ou trabalhando normalmente — segundo o próprio critério. Ou, na dúvida, agindo conforme a orientação do Ministro da Saúde, um médico competente, sensato e bem-intencionado.

Ocorre que, mesmo com sua inegável competência, o Ministro pode, em tese, estar, enganado — nem a medicina nem a economia são ciências exatas. O engessamento de toda produção pode vir a matar muito mais que a própria epidemia. Minha opinião é apenas minha, insisto; talvez errada, talvez certa, e o STF não tem o direito de proibir aos brasileiros o direito de pensar e escrever o que pensam, desde que se expressem, com bons modos e argumentando com fatos, deduções e intuições.

Uma minoria silenciosa também pensa como o subscritor — mas não se atreve a dizer que há exagero na orientação de manter o país em quarentena, com ruas vazias, comércio e fábricas fechados, o governo “improvisando” bilhões ou trilhões de reais para manter 90% da população em ociosidade forçada, mesmo sentido necessidade e energia para trabalhar.  E o que é pior: milhares de hipocondríacos apavorados, querendo “apenas saber” se estão ou não contaminados.

 Mesmo não sentindo os sintomas clássicos de febre ou falta de ar, esses milhares não aguentam a dúvida. Sentem-se no corredor da morte, e quem paga pelo nervosismo é a coletividade. Ela consome tempo e/ou dinheiro, inutilmente, com tais exames — quando o teste dá negativo. Quando o teste dá positivo, ela estimula ou obriga a ociosidade, mesmo quando o nervoso está com sua capacidade física e mental preservadas, podendo ser útil a si mesmo e à coletividade.

Considero absurda essa ânsia — em pessoas sem sintomas — quererem saber se estão ou não contaminados. O governo deveria não atendê-los, não só por causa da sobrecarga de um trabalho que seria mais útil cuidando dos realmente contaminados e com sintomas evidentes. Se o cidadão, sem sintomas, constata que contém o vírus a primeira reação deles é de afastar-se do trabalho e pedir o dinheiro do governo. A política mais sensata do governo, nesse item, seria a de  fazer o teste apenas quando o testado fosse trabalhar cuidando de idosos ou pessoas com doenças debilitantes pré-existentes, que precisam de uma maior proteção. Exceção razoável, talvez — para um exame preventivo, sem sintomas —, seria com relação a políticos idosos que relacionam-se a todo momento com inúmeras pessoas que podem estar ou ficar contaminadas. Isso se o político quiser, por foro íntimo.

Pela rapidez invulgar de contaminação do coronavírus, será mais prático presumir qu e toda a população brasileira está contaminada mas, por causa, felizmente, da baixa mortalidade do vírus — comparada com outras epidemias do passado —, só os idosos, as realmente doentes, de qualquer idade, e os pobres e desempregados receberiam ajuda do governo. Com a quarentena total, todos os prejudicados com a paralização precisam de dinheiro. Uma carga pesadíssima e destrutiva causada pela visão apenas médica do imenso problema.

  Tendo em vista que o vírus é “rápido” na contaminação, mas “fraco” para acamar os jovens e não-velhos mais resistentes, não há porque estimular ou forçar todo mundo a não trabalhar. Um médico, por exemplo, contaminado mas sem sintoma, pode trabalhar em casa, com o computador, ou em um hospital, cuidando da parte administrativa.

Os governadores em reunião recente, alguns deles talvez de olho na próxima eleição presidencial, estimulam, contra Bolsonaro, o pavor coletivo de uma população que não tem condições de estudar o assunto e decidir com juízo próprio.

 Se Bolsonaro tivesse, sessenta dias atrás, determinado uma rígida quarentena, esvaziando as ruas, aqueles governadores e jornalistas que hoje o atacam teriam dito que ele “comprovou suas tendências totalitárias, nazistas, querendo transformar o país em um imenso e original campo de concentração — cada casa uma jaula —, indiferente ao sofrimento das camadas mais pobres da população, com muitas pessoas morando em pequenos espaços, com mútuas trocas de eventuais vírus e bactérias. Um caldo humano para a ‘solução final’ à brasileira. Precisando comer, geladeira vazia — ou inexistente — alguns membros da família teriam que sair, contaminando ou sendo contaminado”. Por isso, concluiriam os críticos, “o tirano” Bolsonaro precisaria renunciar ou ser cassado com um impeachment”. Diriam que “Bolsonaro, no cargo, destruiu a economia do país”.

Há, provavelmente, uns poucos governadores com dúvida, não admitida, sobre o que fazer. Isolar quase todo mundo, jovens e velhos ou só os idosos? Em lugar de se informar mais e decidir com máxima reflexão, optam pela solução menos pessoalmente arriscada: seguir a maioria dos colegas, com a quarentena. Se a paralização econômica afundar o país, ele não estará sozinho no banco dos réus, no futuro julgamento da opinião pública. Confortam a própria consciência com um argumento: “Será possível que só o Bolsonaro está certo quando “todo mundo” pensa o contrário”?

A resposta é “sim”, paradoxalmente, mesmo vinda do “irresponsável” Bolsonaro que, no caso — pelo contrário —, está agindo com corajosa responsabilidade, apresentando argumentos respeitáveis, visto o problema em seu conjunto.

Um político que conta com minha simpatia, Ronaldo Caiado, médico de profissão, incentivador do agronegócio, homem de personalidade e coragem, pareceu sentir-se ofendidos com o fato de Bolsonaro ter opinião contrária à da maioria, mundial, em um assunto de médicos. Um médico sabe mais que o não-médico, não há dúvida, mas o problema em exame é outro, misto, não apenas médico. Intuições felizes, de leigos, podem ocorrer em questões que dividem opiniões de pessoas respeitáveis. Só o futuro dirá sobre qual foi a política mais correta, a “quarentena horizontal ou vertical”?

 A natureza desse vírus não está totalmente clara. Não se sabe se o coronavírus pode sofrer uma mutação, nos próximos dias, ou meses, conforme o clima e hábitos dos moradores dos países afetados. Já li opiniões de cientistas dizendo, estranhamente, que o vírus nem é um “ser” vivo, isso porque ele não se reproduz sozinho, precisa de um hospedeiro. Se assim for, o espermatozoide também não é um “ser” vivo porque precisa de um óvulo para gerar um outro ser vivo.

Na história da humanidade já houve inúmeros casos de “todos” estarem errados e só um estar certo, mesmo não sendo mais inteligente que os demais. A terra nunca foi plana e muito menos o centro do sistema solar, como pensava o generalizado “bom senso” dos sábios do século 16. Foi preciso que Galileu demonstrasse o contrário da unanimidade. Outro caso: navios, antigamente, eram feitos de madeira. Quando um determinado sujeito externou o desejo de fazer um navio de ferro todos os “peritos” disseram que isso era “absurdo”, impossível, porque o navio ficaria muito pesado e afundaria. E mesmo que não afundasse, o ferro do casco, impediria que a bússola apontasse o Norte, deixando o navio desorientado quando distante da costa.

Construir estradas de ferro? Nem falar. “Entendidos” diziam que se um trem corresse a mais de 60 km por hora — ou velocidade parecida — as pessoas não conseguiriam respirar, morrendo por falta de ar. Para não alongar o rol de besteirol de “opiniões unânimes”, lembro que antes de Louis Pasteur “todo mundo”, inclusive de universidades, pensava que ratos nasciam, “brotavam”, da sujeira, por “geração espontânea”. Às vezes, é preciso que um suposto “louco”— no caso Bolsonaro —, tenha a coragem de, percebendo o perigo maior à frente e lance o alerta, sem medo da crítica.

Inegavelmente, o vírus em exame tem uma invulgar rapidez de propagação. Em “compensação”, sua mortalidade é muito inferior a outras epidemias do passado, que “não escolhiam” a idade de suas vítimas. Morria todo mundo, de crianças a macróbios. Essas pandemias não poupavam faixa etária alguma. A Peste Negra matou 50 milhões; a Cólera, centenas de milhões; a Tuberculose (300 milhões, entre 1896 e 1980); a Varíola, 300 milhões; a Gripe Espanhola, 20 milhões; o Tifo, Febre Amarela, Aids, etc., etc. 

Os inimigos políticos de Bolsonaro, aos milhares, a todo momento o acusam e insultam, na mídia, de ser ignorante e grosseiro nos seus pronunciamentos, como se ele — “só” pelo fato de ser presidente —, não pudesse ter opinião pessoal em tema tão relevante. Qualquer  semi-alfabetizado, hoje, acha-se no direito democrático de desancar o presidente, mas a qualquer reação defensiva dele, rotulam-no de ditador, tosco e ignorante.  Pelo visto todos os seus inimigos seriam infalíveis, sábios e santos.

Defendo-o, aqui, confessando que votei nele como única forma, naquele momento, de derrotar o petismo. Com todas as suas deficiências de comunicação, “curto e grosso”, é, no fundo, um homem honesto e direto. Está errado em muita coisa, principalmente na política externa e na excessiva liberdade concedida aos filhos. Claro que nunca foi dado a leituras. Mas tanto acerta quanto erra, pensando que acerta. Porém, como não é burro, o exercício do cargo com o tempo o polirá um pouco nas maneiras e nas palavras. Deixem-no terminar seu mandato. Afinal, ele tem uma coragem, mesmo rude, que falta a muitos de seus inimigos. Quem, igual a ele, tem a coragem, hoje, de discordar do “mundo”?

PARO POR AQUI PORQUE É CONTRAPRODUCENTE TEXTOS LONGOS DEMAIS NA INTERNET. CONTINUAREI ARGUMENTANDO DENTRO DE DOIS OU TRÊS DIAS. EM CERTOS ASSUNTOS, SER SINTÉTICO DEMAIS NA ARGUMENTAÇÃO TORNA-A MENOS CONVINCENTE. AGUARDEM.

(03/04/2020)

quarta-feira, 18 de março de 2020

Informações biológicas às esposas traídas.

Na qualidade de magistrado aposentado, de vez em quando sou consultado, informalmente, por cônjuges sobre se devem, ou não, se separar judicialmente. Querem saber o que acontecerá no algo temido “amanhã”. Dúvidas sobre como poderão fazer a divisão dos bens, quais os limites da eventual pensão alimentícia (a parte mais difícil), a guarda e visita dos filhos e as demais questões, já bem conhecidas, que acompanham toda separação.

Sem dúvida, dispensadas as variadas estatísticas de país para país, a infidelidade dos maridos é o que mais leva as esposas a buscar a separação. E como o signatário deste artigo tem — mesmo sem formação especializada — uma inescondível curiosidade pelo lado mais polêmico da conexão Direito-Biologia, penso não ser inútil transmitir às esposas traídas alguns informes — e meras intuições — que possivelmente as ajudarão a formar um quadro mais completo do problema que as atormentam. A decisão sobre o que fazer será difícil. As considerações estritamente legais podem trazer mais arrependimento do que felicidade. E aí será tarde, porque o tempo consolida tanto as uniões juridicamente certas quanto as erradas. Há quem diga que o segundo casamento só é mais duradouro que o primeiro não porque foi encontrada “a pessoa certa” no segundo, mas porque o homem, exausto dos problemas oriundos da separação, já não tem mais paciência — e dinheiro — para enfrentar nova batalha, ou guerrilha. Vai apenas levando, quando a segunda união já não desperta o entusiasmo de antes. — “Será que vou ter que pagar nova pensão-alimentícia”?

Para início de consideração, é preciso admitir, ainda que com certa repugnância moral, que o homem, só pelo fato de ser homem — segundo o Cristianismo, “feito à imagem e semelhança de Deus”, um insulto à competência manufatureira do Criador — não é um ser desligado da Biologia. Basta ver que possui unhas, pêlos, barba, saliva, caninos (próprios para dilacerar a carne) e inúmeros outros atributos desnecessários a um ser espiritual. Sabe dar coices com os quatro membros (artes marciais), ronca dormindo, sua, cheira forte (quando não toma banho). É usualmente glutão, mandão, babão, sensual, ambicioso, astuto, invejoso e as vezes traiçoeiro. Quando desafiado e certo da impunidade atreve-se às maiores atrocidades. Quem duvidar disso não precisa se informar em livros de Patologia Forense, basta ler alguns capítulos de História Universal. Como simples exemplo, mencione-se que os colonizadores espanhóis da Patagônia, revoltados com o fato dos índios não respeitarem suas cercas e comerem suas ovelhas — os nativos não tinham noção de propriedade privada e pensavam que as ovelhas eram uma espécie de lhamas, seu prato habitual — matavam-nos impiedosamente. Inclusive envenenando a carne de baleias encalhadas. Constatando, antes dos nativos, que uma baleia encalhara na praia, envenenavam sua carne porque sabiam que os índios se banqueteavam com tais volumosos presentes do mar. Logo após esses festins morriam às centenas. Com tais práticas, “limparam a área”. A beleza local, para mim inesperada — vi isso pessoalmente — do extremo sul da Patagônia esconde um passado tenebroso que nem convém lembrar.

Tais “qualidades” animalescas do ser humano, no entanto, tiveram sua utilidade para a preservação da espécie “Homo Sapiens” (outro elogio discutível). Fossem os nossos ancestrais das cavernas extremamente dóceis, propensos ao jejum, desinteressados de sexo e sem astúcia, a raça humana teria sido provavelmente extinta. Principalmente se o chamado sexo forte (elogio questionável, de novo) tivesse baixa sensualidade. Como as crianças morriam às moscas, vítimas de doenças, subnutrição e predadores, o macho das cavernas compensava esse massacre infantil — mesmo sem ter, claro, a menor consciência do porquê de sua gula sexual — fertilizando o máximo possível de fêmeas de seu grupo, ou grupo vizinho. Seguia o procedimento dos demais mamíferos, quase todos poligâmicos.

Haréns de fêmeas sempre foi a regra. A de machos, inexistente ou exceção. Quando se fala em “matriarcado” quer-se referir ao domínio (mando) do grupo pelas mulheres, não ao fato delas disporem, pelo que sei, de grande número de homens para com eles coabitar simultaneamente.

Essa poligamia natural do homem primitivo era uma forma grosseira, mas eficaz, de garantir a propagação da espécie não só em termos de quantidade de seres humanos como também de qualidade, porque o macho dominante — praticamente o único “dono das fêmeas” —, era o melhor portador e transmissor das qualidades genéticas então mais valiosas: força bruta, astúcia e agressividade. Fosse a monogamia a regra na evolução biológica dos mamíferos, a imensa quantidade de espermatozóides liberada em cada conjunção carnal seria totalmente desperdiçada quando a companheira estivesse grávida, portanto provisoriamente estéril. Sementes desperdiçadas, portanto. Daí a incessante procura de novas parceiras carnais que poderiam gerar prole, compensatória não só da grande mortandade infantil como também da morte precoce de guerreiros ou caçadores, vitimados em constantes combates tribais ou com animais predadores. A própria gula, o comer exageradamente — hoje um vício bem desagradável de presenciar, mas não de praticar —, era também uma forma de “virtude”, porque nesses primitivos tempos, antes da agricultura localizada, não havia certeza alguma de que seria possível comer no dia seguinte. Um comedor moderado, elegante, hoje elogiado, tinha muito mais probabilidade de morrer de inanição do que um “guloso” que se empanturrava, formando reservas no fígado e no tecido adiposo, com isso resistindo mais ao jejum, forçado pela falta de alimento. Hoje, a gula é daninha porque no mundo civilizado temos alimento à nossa disposição pelo menos três vezes por dia.

Em suma, o homem atual — e as esposas traídas precisam lembrar-se disso —, é fruto da evolução animal de milênios, trazendo ainda consigo características primitivas que já tiveram sua utilidade em eras remotas. Uma delas, a propensão instintiva para a infidelidade.

Ocorre que, de uns séculos para cá, o homem — à maneira das cobras, que se livram da pele antiga — constatou que essas “qualidades” de seus ancestrais já não eram mais necessárias. Pelo contrário, tornaram-se defeitos. Não havia mais predadores naturais. Já não morriam tantos recém-nascidos. A força bruta do macho dominante tornou-se uma excrescência porque os machos fisicamente mais fracos, vivendo em sociedade, podiam se organizar e derrotar o biologicamente mais forte. Criou-se o Estado, esse ser poderoso, abstrato mas também de força bem concreta, que pode enforcar ou encarcerar o mais musculoso e agressivo componente do grupo. A monogamia — pelo menos a oficial —, tornou-se a regra. Se países muçulmanos ainda admitem a poligamia isso ocorre — segundo me foi informado por gente que conhece o assunto —, porque as tribos árabes viviam em constantes guerras entre elas, com grande número de guerreiros mortos. Seria necessário, portanto, um sistema de “fornecimento de vidas” mais eficaz que a monogamia. Daí a origem da permissão para o muçulmano ter mais de uma esposa, se em condições de mantê-las.

E surgiu o Cristianismo, a religião inspirada nos anseios mais nobres do homem, vista aqui apenas pelo lado da feição humana. Querendo a paz entre os homens, uma das dimensões maiores dessa paz seria o casamento monogâmico, idealmente perfeito porque o número de homens e mulheres nascidos se equivale, aproximadamente. Cada um, com sua mulher, até o fim da vida e ponto final. Sem brigas e disputas pela mulher do próximo. Bom, teoricamente, para os cônjuges e não apenas teoricamente para os filhos, que sempre sofrem de alguma forma com a separação dos pais.

Entretanto, se essa é a boa teoria, a prática revelada no estudo do comportamento real mostra que a elegante capa do Cristianismo é um modelo feito por um alfaiate muito mais idealista do que atento ao real formato do quase-animal que vestiu.

Estatísticas demonstram o elevado percentual de atos de infidelidade masculina em todos os países. É um dado da realidade, embora desagradável de saber. E só não aumentou ainda mais, recentemente, em razão do medo da AIDS. Como o bicho-homem tem alguns milhões de anos (se computado o período em que foi peixe), é natural que esse imenso e tenebroso passado faça-o contorcer-se e coçar quando lhe põem uma roupagem moral muito elegante, nobre mas um tanto em desacordo com sua natureza mais primitiva. É o mesmo que pegar um carvoeiro bronco — menciono essa profissão por imaginar que ela nem mais exista —, dar-lhe um banho, vesti-lo com fraque elegantíssimo e mandar que compareça a uma sofisticada recepção no Itamaraty, fingindo ser um diplomata. Depois de algumas horas de sofrimento, todo duro, os sapatos e o colarinho apertando, segurando uma taça de champanha que esvazia continuamente, vai acabar cometendo algumas gafes.

Essa gafe, no marido moderno, chama-se infidelidade. É o velho instinto represado que, meio adormecido, sente o que, para os cães, corresponderia ao “chamado das selvas”, do escritor Jack London, e que Robert Louis Stevenson imortalizou no seu “O médico e o monstro”.

Não estou aqui nem defendendo os “lobos” nem estimulando os hesitantes “quase-lobos”, que ainda vacilam em juntar-se à alcatéia. Apenas procuro entender e explicar o que ocorre na vida real. No círculo de relações de qualquer pessoa não é raro saber-se que o casal “x” está se separando porque houve traição. Na maior parte das vezes por parte de um homem maduro, que preferiu uma mulher mais jovem que a esposa. E para essa diferença etária parece que há também uma explicação biológica, sem conhecimento consciente do garanhão algo retardatário e de cabelos grisalhos.

O homem, no caso, nem sabe que está sendo usado pela “sabedoria” embutida nos genes, o “board” biológico que, a meu ver, comanda na surdina. Os genes sabem que mulheres mais jovens têm à frente um longo período fertilidade, bem maior que as mulheres maduras, que até podem estar estéreis em definitivo em razão da menopausa. A cintura fina das jovens — em contraste com os quadris largos —, que tanto atrai os homens, pode ser apenas um aviso biológico de que “o forno está vazio”— emitindo um sinal para “enchê-lo” com a gravidez. E os quadris largos aparentemente favorecem partos mais fáceis. Todas as características de atração feminina coincidem com maior saúde, boas para a gestação. O único item para o qual ainda não encontrei explicação biológica foi a excepcional importância da beleza do rosto feminino, um atrativo que nem sempre coincide com a boa saúde da mulher e sua aptidão para gerar prole vigorosa. Um tuberculosa, ou anêmica cancerosa, de rosto lindo, pode despertar paixões. Será a valorização da beleza fisionômica da mulher um sinal biológico de que o homem evoluiu extraordinariamente? Os animais são atraídos pelo cheiro, não pela beleza.

— Está bem! — dirá a leitora irritada com um enfoque tão “rasteiro” e biológico do seu problema. — Admito que ainda há muito de animal no homem, mas ele precisa se conscientizar de que não é mais um animal! É dotado de racionalidade! Fôssemos perdoar seu lado primitivo, não haveria porque existir a legislação penal. O homem, em situações extremas, mata, estupra, rouba e até tortura. Esses atos, pergunto, merecem  “compreensão” porque foram espontâneos, resquícios de sua embutida animalidade?”

A leitora tem razão no acentuar seu idealismo. Mas minha intenção, aqui, não é “dar carta branca ao animal”. É mostrar todos os lados do fenômeno “infidelidade”, evitando a precipitação de logo procurar um advogado e entrar com pedido de separação.  É a primeira reação da esposa, principalmente quando o deslize se tornou notório. Notadamente quando suas amigas também souberam do caso. — “Se pelo menos elas não soubessem...” — E tais amigas (“da onça”) por vezes contribuem para a decisão da separação. Parecem perguntar, sutilmente, nem que seja só com os olhos: — “Você não vai fazer nada?...” — Aí a traída “ faz”, meio a contragosto, pressionada pelo dever de “reagir”. Mas muitas vezes se arrepende. E não é impossível que a “amiga” esteja é de olho no marido da traída. A precipitação desta pode também ser uma reação prevista pela parte interessada, “a outra”, que está atrás de um marido e não de um amante casado. Sei de casos em que a esposa se arrepende. Para não mencionar eventuais situações de posições trocadas: o marido, já vivendo com “a outra”, visita a ex-esposa para conversar sobre filhos e aí acontece, sexualmente, o que a moral e o brio não recomendam. A ex-esposa torna-se “a outra”, a amante, com toda a carga de auto-reprovação por ter cedido à tentação.

Nem sempre a solidão é melhor que a vida a dois. O “caso” que provocou a separação ou divórcio pode ter tido raízes pouco profundas, ou até mesmo raiz alguma. É preciso lembrar que assim como “o malandro” enjoou da esposa pode também enjoar da “outra”, com imensa velocidade. Conheço um caso assim. A empregada da casa, para agradar a patroa, contou a esta a conversa comprometedora, por telefone, do dono da casa com outra mulher. A esposa reagiu no ato. Procurou advogado e ocorreu a separação. O marido teve que ir embora. Mas não para “ficar” com a causadora do problema. Nunca a visitou. E não voltou ao antigo lar porque ouviu tantos insultos, quando da separação, que só lembrava da mulher como uma serpente cheia de ódio. Imaginava que, se voltasse, levaria uma vida de condenado em livramento condicional, constantemente vigiado, ouvidos estourando com constantes alusões ao seu erro. Preferiu viver sozinho, e depois de algum tempo, com um filho. E a ex-mulher, já madura, também viveu sozinha, pelo que sei. Duas solidões não felizes. Tudo porque uma empregada quis ser agradável à patroa.

Como esta narrativa já está longa demais e a Internet não é o espaço mais apropriado para dissertações, deixo aqui mais uns curtos dados sobre o papel do mecanismo biológico que comanda o reino animal, com repercussão nos seres humanos, que ainda não são anjos. Os ursos panda estão em perigo de extinção. Quando em cativeiro é comum o casal não se reproduzir. Fiquei sabendo que em alguns zoológicos os cientistas fizeram de tudo para que o casal de ursos gerasse filhotes, mas em vão. Tentaram — isso não é imaginação minha, confiram na literatura própria — “quebrar o gelo” até com a exibição de “filmes pornográficos” (para mim uma tolice) — no caso, casais de pandas em pleno ato. E chegaram ao ponto — sentem-se para não cair — de ministrar “Viagra” ao panda macho, sem resultado. Agora — é apenas intuição minha — posso quase apostar que se na jaula fosse introduzida outra fêmea, ou macho, ou outros machos e fêmeas, a ciumeira acionaria o mecanismo biológico que levaria à fecundação talvez de todas as fêmeas. Isso porque a disputa, a concorrência, o ciúme, são mecanismos de seleção do melhor. Junte, leitor, a esta consideração este outro fato impressionante: o óvulo é fecundado, normalmente, apenas por um espermatozóide, mas se ele chegar sozinho ao óvulo este não o acolhe, não se abre, não ocorre a fecundação. Porque a “senhorita óvulo” faz questão de selecionar, escolher o melhor. Ela parece pensar assim: “Desculpe, meu caro, faço questão de escolher. Como vou saber que você é o melhor?”

Considerando tudo isso, essa carga biológica que ainda carregamos, renovo meu conselho às mulheres traídas: não se precipitem. A separação judicial só deve ser requerida quando a infidelidade representa um sinal de que todo o resto da convivência já é uma ruína. O marido que traiu — quando bom marido em tudo o mais e bom pai — sente-se intimamente mal quando a consciência o acusa. E esta o acusa com especial virulência quando vê, na esposa, uma companheira digna, educada, capaz de fechar os olhos e sofrer em silêncio por um curto período de tempo. Uma chance para que o lado bom, moral, do esposo prevaleça sobre o lado mais egoísta e animal que ele carrega involuntariamente.

Finalmente, direi algo “meio estranho” sobre a traição masculina que talvez não seja crível pela maioria dos leitores de ambos os sexos, acostumados a escutar e ler apenas chavões. Segundo a versão corrente, o homem casado trai apenas impulsionado pela insatisfação sexual no relacionamento com a esposa. Nem sempre, acreditem. Às vezes é apenas o poder da invulgar beleza, não a libido, que causa a traição. Com outras palavras, o sujeito pensa: “sexo bom, até melhor, eu já tenho em casa, mas como resistir a esses olhos, a esse porte”? Certamente, esse cidadão, que casou cedo, sempre teve uma frustração, a de não ter tido nos braços uma mulher com tanta beleza. Ele quer apenas morrer sem essa frustração. Por isso trai, mas sem jamais pensar em trocar de esposa. Se tivesse mais juízo, não trairia, mas quem disse que é a racionalidade que conduz o bicho homem?

Para aliviar o clima pesado de todas as considerações acima é talvez lícito contar aqui uma anedota relacionada com o tema: um noivo, preocupado com suas tendências à, digamos, multiplicidade de amores, procurou o padre no dia anterior ao do casamento. Pediu-lhe um favor: que fingisse esquecer de mencionar a exigência de promessa de nunca trair a esposa, “até que a morte nos separe”, etc. Explicou que não pretendia ser infiel, mas gostaria de fazer isso “vindo do íntimo”, sem ser forçado em promessa formal no momento da cerimônia. Em troca, deu ao padre um cheque de cinco mil reais para ajudar a reforma da igreja. O padre pegou o cheque e foi embora, sem nada responder. No dia seguinte, na cerimônia, o sacerdote, encarando o noivo nos olhos, exigiu, alto e bom som: — “Fulano de Tal, o senhor promete ser fiel até a morte? Trazer café na cama para sua esposa? Pagar, sem reclamar, todas as despesas com cartão de crédito, mesmo que as considere excessivas? Manter pelo menos duas empregadas e um motorista à sua disposição e nunca fazer nem cara feia”? Engolindo em seco, o noivo concordou com tudo, mas logo após a cerimônia procurou o padre, censurando-o: —“Pensei que tínhamos feito um trato...”, ao que o sacerdote devolveu o cheque de cinco mil e respondeu: “A noiva dobrou o lance”.

Quanto à traição feminina, não me atrevo a abordar. Muito menos a solicitar confidências.

                                                                          Francisco Pinheiro Rodrigues (18/03/2020)